Retirado do Livro: O Lado Negro do Calvinismo, George Bryson. pp. 39-48.







Para um Calvinista, as particularidades doutrinárias do Calvinismo (às vezes chamadas de “as doutrinas da graça”) são nada mais nada menos do que o evangelho de Jesus Cristo encontrado ao longo de todas as páginas do Novo Testamento. Os Calvinistas também equiparam essas assim chamadas doutrinas da graça com os cinco pontos do Calvinismo. O mui amado “Príncipe dos Pregadores”, Charles Spurgeon, vangloria-se:



Não existe tal coisa como pregar a Cristo e este crucificado, a menos que você pregue o que... é chamado de Calvinismo... É trivial chamá-lo de Calvinismo; o Calvinismo é o evangelho, e nada mais. ¹




O Batista Reformado extremamente fervoroso, John Piper, alega:



As doutrinas da graça (Depravação Total, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível e Perseverança dos Santos) são o tecido e a textura do evangelho bíblico tão estimado por muitos santos ao longo dos séculos. ²




A despeito de os Calvinistas equipararem o Calvinismo com o evangelho, ainda estou por conhecer um Calvinista que afirme ter abraçado os cinco pontos do Calvinismo no momento em que se voltou em fé para Jesus Cristo. Para alguns, o intervalo de tempo entre a conversão a Cristo e a conversão ao Calvinismo pode ser de muitos anos, até mesmo décadas. Mas não estariam estes querendo dizer com isso que eles não estavam realmente salvos até que vieram a compreender e aceitar a Teologia Reformada como o evangelho? Se os cinco pontos do Calvinismo podem ser equiparados ao evangelho, o qual “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16), por que não ouvimos os Calvinistas falando aos perdidos sobre os cinco pontos? Se a versão Calvinista das doutrinas da graça é equivalente ao verdadeiro evangelho, e crer no verdadeiro evangelho é necessário para salvação, por que é que a maioria dos verdadeiros Calvinistas evitam qualquer discussão sobre essas assim chamadas doutrinas da graça ao tentarem conquistar o perdido para a fé em Cristo? Estas são questões muito importantes que exigem uma resposta honesta e objetiva.



Para muitos cristãos de uma vasta gama de convicções e tradições teológicas, nada poderia se mais importante do que a fidelidade ao evangelho de Jesus Cristo. Em meus muitos anos de cristão, tenho conhecido bem poucos cristãos professos que abandonaram a fé por rejeitarem abertamente o evangelho da graça de Deus. Porém, infelizmente, conheço muitos cristãos que se tornaram vítimas daqueles que distorcem a verdade do glorioso evangelho de nosso Salvador.



Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. (Gálatas 1:6-8)




Para que fique claro, estas palavras não apenas são desagradáveis, como representam um problema sério e preocupante para o calvinista. Até porque, de acordo com Paulo, é possível a alguém se desviar do Senhor depois de haver voltado para Ele. A pergunta que faço a meus amigos calvinistas é a seguinte: O evangelho pregado pelo Calvinismo, ou assim chamados cinco pontos do Calvinismo, é o mesmo evangelho que Paulo pregou e no qual os gálatas creram, visto que eles claramente se desviaram do Senhor? Faço esta pergunta porque muitos calvinistas tem confundido os cinco pontos do Calvinismo com o evangelho de Jesus Cristo. Sabemos que o apóstolo Paulo jamais se envergonhou:


... do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê... (Romanos 1:16)




Quando você se achegou pela primeira vez a Cristo com fé Nele, ou, se preferir, quando veio a Cristo pela fé, você creu nos cinco pontos do Calvinismo? Ou você simplesmente creu e abraçou espontaneamente as verdades das Escrituras que nos dizem que Cristo morreu por nossos pecados e, em seguida, ressuscitou vitorioso sobre a morte? O apóstolo Paulo declarou:


TAMBÉM vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. (1 Coríntios 15:1-4)



Se o evangelho no qual você creu em sua conversão foi o verdadeiro evangelho descrito em 1 Coríntios 15:1-4, o que isso tem a ver com os cinco pontos do Calvinismo? Você provavelmente sequer havia ouvido falar sobre os cinco pontos até algum tempo depois da sua conversão. Lembre-se também que esse assim chamado evangelho do Calvinismo mudou completamente seu entendimento acerca do evangelho de Jesus Cristo quando você se converteu ao Calvinismo. Não seria possível que você estivesse salvo por haver crido no verdadeiro evangelho e, mais tarde, tenha se desviado seriamente por aceitar os cinco pontos do Calvinismo como o evangelho? Ou seria plausível admitir que você não tenha realmente ouvido e atendido a pregação e o convite do evangelho até que os cinco pontos do Calvinismo lhe houvessem sido apresentados? Alguns de fora dos círculos reformados (ou quase dentro deles) têm sugerido que eu estou exagerando ao acusar os calvinistas de equipararem o Calvinismo com o evangelho. No entanto, grande parte da literatura reformada e do testemunho de lideres calvinistas em todos os lugares são passíveis desta acusação.


O teólogo Reformado Herman Hoeksema, por exemplo, diz:


...para mim a verdade do evangelho e a fé Reformada são sinônimos. ³



Segundo o Calvinista David Engelsma:


O Calvinismo é o Evangelho. Suas notáveis doutrinas são simplesmente as verdades que compõem o Evangelho. ⁴




De igual modo, o Calvinista Arthur Custance declara:




O Calvinismo é o Evangelho e ensinar o Calvinismo é de fato pregar o Evangelho. É questionável se a dogmática teológica não Calvinista é realmente Cristã. ⁵



Se você é hoje um Calvinista, quando a verdade do evangelho e a fé Reformada se tornaram sinônimos para você? Tudo indica que isso ocorreu algum tempo depois de você ao menos haver pensado ter recebido a Cristo como Senhor e Salvador. A questão é: Você poderia realmente ter sido salvo crendo naquilo que no fim das contas acabou se revelando não ser o verdadeiro evangelho? Está claro a partir de seu próprio testemunho que Spurgeon, por exemplo, sequer conhecia os  cinco pontos ou as assim chamadas doutrinas da graça até haver sido iniciado no Calvinismo algum tempo depois de chegar à fé em Cristo. Se devemos crer no evangelho para sermos salvos, como admitem os Calvinistas, acaso não estariam todos os Calvinistas perdidos durante o período em que apenas pensaram haver recebido a Cristo como Senhor e Salvador, visto que eles ainda não estavam convictos do Calvinismo?



De acordo com Loraine Boettner:



...a Fé Reformada... sem nenhuma dúvida é o ensino da razão e da Bíblia.



Falando provavelmente pela maioria, se não por todos os Calvinistas, Boettner também declara:



...sustentamos que uma exposição completa e detalhada do sistema Cristão pode ser dada somente com base na verdade apresentada pelo sistema Calvinista.



Assim, segundo Boettner, o sistema Cristão que você professa é, na melhor das hipóteses, parcial e incompleto se não estiver de acordo com o Calvinismo. Boettner não faz rodeios teológicos quando afirma:



A Bíblia revela um esquema de redenção que é Calvinista do princípio ao fim, e todas as doutrinas são ensinadas com tão inescapável clareza que a questão é aceita por todos aqueles que aceitam a Bíblia como a Palavra de Deus.



É isso. Ou você crê que a Bíblia ensina a doutrina Reformada da redenção e, consequentemente, a doutrina Reformada da predestinação, ou você não aceita a Bíblia como a Palavra de Deus. Se você acha que isso soa um tanto extremo, prepare-se; os Calvinistas vão muito mais além em seus clamores em favor da Teologia Reformada. B. B. Warfield, por exemplo, um gigante teológico para muitos Calvinistas, diz:


...o Calvinismo ó o próprio Cristianismo... nada mais nada menos do que a esperança para o mundo.


Os Calvinistas Kenneth Talbot e Gary Crampton expressam aquilo que quero dizer quando afirmam:


...qualquer comprometimento do Calvinismo é um passo em direção ao humanismo. ¹⁰



Buettner vai ainda mais longe ao declarar que:


...nenhum ponto consistente de parada será encontrado em que não haja o ateísmo... não há chão consistente entre o Calvinismo e o Ateísmo.¹¹



Afirmar que os Calvinistas levam a sério seu Calvinismo seria amenizar os fatos. Se o Calvinismo é aquilo que eles acreditam ser — o evangelho, o Cristianismo, a esperança para o mundo, etc. — é porque eles devem leva-lo a sério demais.



Com base em sua convicção de que o Calvinismo é o evangelho, pode parecer razoável que os Calvinistas neguem que os não-Calvinistas sejam verdadeiros Cristãos, ou creiam que apenas os Calvinistas podem ser salvos, Logicamente, esta seria uma suposição plausível. Os Calvinistas, no entanto, não estão geralmente preocupados com as implicações lógicas de seu sistema teológico. A maioria dos Calvinistas, de fato, não chega a ir tão longe a ponto de negar que os Evangélicos não-Calvinistas sejam verdadeiros cristãos. Apenas os mais extremados — aqueles na periferia do Calvinismo — costumam extrapolar em suas declarações afirmando que somente os Calvinistas são ou serão salvos. Boettner até mesmo diz que:



Como Calvinistas nós alegremente reconhecemos como nossos irmãos Cristãos quaisquer [pessoas] que confiem em Cristo para a sua salvação, independentemente do quão inconsistentes suas demais crenças possam ser. Nós acreditamos, contudo, que o Calvinismo é o único sistema... inteiramente verdadeiro.¹²



  •          Se, como creem os Calvinistas, o Calvinismo é equivalente ao evangelho,


E:

  •          Se, como admitem os Calvinistas, o perdido deve crer no verdadeiro evangelho a fim de se tornar um salvo,


E:


  •          Se, como os Calvinistas argumentam, os não-Calvinistas não creem no verdadeiro evangelho,


Então:


  •          Como podem os Calvinistas reconhecer os não-Calvinistas como salvos?




Evidentemente, eles não podem. Porém, de fato, eles o fazem. Ate onde posso afirmar, os Calvinistas tradicionais nem sequer tentam explicar como isso é possível. O modo como muitos dos principais defensores do Calvinismo veem os não-Calvinistas é provavelmente melhor expresso nas palavras creditadas por Boettner a F. E. Hamilton. Segundo Boettner, Hamilton diz:



Um homem cego, surdo e mudo pode, é verdade, saber algo a respeito do mundo ao seu redor através dos sentidos remanescentes, mas... um conhecimento será muito imperfeito e provavelmente inacurado. Num sentido similar, um Cristão que nunca conheceu ou que nunca aceitou a ensinamentos mais profundos da Bíblia, os quais o Calvinismo incorpora, pode ser um Cristão, mas ele será um Cristão imperfeito; e deveria ser tarefa daqueles que conhecem toda a verdade tentar guia-lo até o único depósito que contém as riquezas completas do verdadeiro Cristianismo. ¹³





Isso quer dizer que todos os Evangélicos não-Reformados, homens como Billy Graham, C. S. Lewis, John Wesley, D. L. Moody, Charles Ryrie, Chuck Swindoll, Chuck Smith, Charles Stanley, assim como incontáveis milhões de outros Cristãos que eles representam, são espiritualmente cegos, surdos e mudos. É surpreendente que, dada essa condição espiritual deplorável de ser um não-Reformado, o Calvinista George Whitfield tenha conseguido tolerar John Wesley por tanto tempo.




Até mesmo o que por fora podem parecer declarações conciliatórias feitas por Calvinistas sobre os demais Evangélicos, muitas vezes acabam por ser elogios dissimulados. E eu enfatizo a palavra dissimulados. Boettner, por exemplo, cita com aprovação um dos primeiros editores da revista Christianity Today [Cristianismo Hoje], S. G. Craig, quando este afirma:


O Calvinista... não difere dos outros Cristãos em espécie, mas somente em grau, como espécimes mais ou menos boas de algo diferem de espécimes mais ou menos ruins... ¹⁴



Se alguém supõe que isto faz com que nos sintamos melhor, fico a imaginar como uma declaração com a intenção de ofender soaria. Da mesma forma Boettner diz:


...não somos todos Calvinistas enquanto trilhamos o caminho para o céu, mas seremos todos Calvinistas quando chegarmos lá. ¹⁵




E de modo semelhante, Charles Spurgeon declara:


... eu não pergunto se vocês creem em tudo isso [no Calvinismo]. É possível que vocês não possam. Mas, eu creio que vocês crerão antes de entrar no céu. ¹⁶




Não significaria isso que Spurgeon acreditava que todos os não-Calvinistas poderiam, eventualmente durante sua jornada terrena, ser persuadidos de que o Calvinismo é verdadeiro? Se não, como um Cristão que jamais foi convencido ou que jamais se convertera ao Calvinismo nesta vida se tornará um Calvinista antes de entrar na próxima?
Afinal, segundo Spurgeon:


Deus... lavará suas mentes antes de vocês entrarem no céu. ¹⁷




Assim, a menos que você seja um Calvinista, você é mais ou menos um espécime ruim de Cristão que necessita de uma lavagem teológico-cerebral. Com tais convicções, o Calvinista pode justificar seu proselitismo entre outros cristãos, incluindo a cisão de igrejas não-Calvinistas, como nada mais do que uma ajuda a Deus neste processo de lavagem cerebral. É certo que, por vezes, aquilo que os Calvinistas afirmam sobre outros Cristãos não tem a intenção de fazer com que nos sintamos mal ou de nos deixar desanimados. Antes, destina-se a fazê-los sentir-se bem consigo mesmos e confortáveis com sua fé Reformada. O fato de fazerem isso às nossas custas é lamentável, porém é algo inevitável para muitos Calvinistas.
Um verdadeiro Calvinista não apenas crê que os cinco pontos do Calvinismo expressam o verdadeiro evangelho e as doutrinas da graça ensinadas na Bíblia, como também afirma que essas particularidades do Calvinismo incorporam o que eles chamam de as profundas verdades das Escrituras. Essas não são as doutrinas comuns que o Calvinismo compartilha com o Cristianismo em geral, mas as particularidades que o distingue da grande maioria do mundo Cristão. Supostamente, as particularidades doutrinárias do Calvinismo são ensinadas com tal “clareza inescapável” nas páginas da Bíblia que praticamente qualquer pessoa deveria ser capaz de enxerga-las ao ler as Escrituras. Spurgeon, por exemplo, nos diz:


Um ilustre senhor, um incrédulo, disse certa vez a Whitfield, “Meu caro senhor, eu sou um incrédulo, eu não creio na Bíblia, mas se a Bíblia é verdadeira, você está certo, e seus opositores Arminianos estão errados. Se a Bíblia é a Palavra de Deus, as doutrinas da graça são verdadeiras”; a isso acrescentamos que, se alguém desejasse mostrar-lhe que a Bíblia é a verdade, o tal deveria desafia-lo a refutar o Calvinismo. ¹⁸



Spurgeon prossegue dizendo:


As doutrinas do pecado original, da eleição, do chamado eficaz, da perseverança até o fim, e todas aquelas grandes verdades chamadas de Calvinismo — embora Calvino não as tenha formulado, antes fora simplesmente um hábil escritor e pregador do assunto — são, eu creio, as doutrinas essenciais do Evangelho que repousa em Jesus Cristo. ¹⁹


Ele também afirma:


Não é nenhuma novidade... [o que] eu estou pregando; nenhuma nova doutrina. Eu amo proclamar essas vigorosas e antigas doutrinas que são cognominadas de Calvinismo, mas que são certamente e de fato a verdade revelada de Deus que está em Cristo Jesus. ²⁰




É compreensível, dadas as explicações mutuamente excludentes com respeito ao que creem Calvinistas e Evangélicos não-Calvinistas sobre o porquê alguns irão para o céu e outros para o inferno, a extrema dificuldade, se não a impossibilidade, para os teólogos Reformados de argumentar em favor do Calvinismo sem contrapor todas as outras formas de Evangelicalismo. Eu não os culpo por fazê-lo. Estou pronto a admitir que uma explicação e defesa dos pontos de vista de um Biblicista é, até certo ponto, um ataque ao Calvinismo como sistema. Isso pode ser verdade até mesmo quando o Calvinismo não é o ponto principal em questão.



Como temos notado, enquanto alguns Calvinistas admitem apenas a contragosto que um não-Calvinista pode ser um verdadeiro Cristão, outros alegremente nos aceitam como irmãos na fé e coerdeiros com Cristo. Entretanto, mesmo entre aqueles que se sentem aparentemente felizes em nos considerar como parte da família, muitos sugerem que não podemos verdadeiramente amar o Senhor ou Sua Palavra com o mesmo fervor ou profundidade que eles. Por exemplo, D. James Kennedy, alguém que normalmente não é considerado hostil aos não-Calvinistas, diz:


Sou um Calvinista precisamente por que eu amo a Bíblia e o Deus da Bíblia. As doutrinas do sistema teológico Calvinista são as doutrinas da Bíblia. Quando você consegue entender aquilo em que realmente cremos você pode acabar descobrindo que também é um Calvinista especialmente se você ama o Senhor Jesus Cristo e deseja servi-Lo de todo o seu coração. ²¹



Eu detesto contestar os motivos, mas lendo isto, parece razoável concluir que Kennedy está usando um certo apelo psicológico-espiritual. Afinal, qual o Cristão que não ama o Senhor Jesus Cristo e deseja servi-Lo de todo e seu coração? Eu o amo, e desejo servi-Lo. Se Kennedy estivesse certo, eu deveria querer me tornar um Calvinista imediatamente. Ou talvez eu deva ter sido Calvinista esse tempo todo. Não tenho a pretensão de sondar o coração de Kennedy ou o motivo pelo qual ele afirma isto aqui. Suas palavras, no entanto, soam bastantes condescendentes para mim. Você é capaz de imaginar os protestos se um não-Calvinista invertesse a questão? Suponha que eu dissesse:


  •          Como Biblicistas, nós alegremente reconhecemos como nossos irmãos Cristãos quaisquer que confiem em Cristo para a sua salvação, independentemente do quão [in]consistente[s] suas demais crenças possam ser. Nós acreditamos, contudo, que o Calvinismo como sistema é demasiado deficiente.

  •          Um homem cego, surdo e mudo pode, é verdade, saber algo a respeito do mundo ao seu redor através dos sentidos remanescentes, mas o seu conhecimento será muito imperfeito e provavelmente inacurado. Num sentido similar, um Calvinista que nunca conhece ou que nunca aceita os ensinamentos mais profundas da Bíblia os quais o Calvinismo não incorpora, pode ser um Cristão, mas ele será um Cristão imperfeito; e deveria ser tarefa dos Biblicistas que conhecem toda a verdade tentar guiá-lo até o único depósito que contém as riquezas completas do verdadeiro Cristianismo.

  •          O Biblicista... não difere dos Cristãos Calvinistas em espécie, mas somente em grau, como espécimes mais ou menos bons de algo diferem de espécimes mais ou menos ruins do algo.

  •          ...não somos todos Biblicistas enquanto trilhamos o caminho para o céu, mas ou creio que antes de entrarmos no céu todos nós nos tomaremos Biblicistas e deixaremos, portanto, de ser Calvinistas.

  •          Sou um Biblicista e não um Calvinista precisamente porque eu amo a Bíblia e o Deus da Bíblia. As doutrinas do sistema teológico Biblicista são as doutrinas da Bíblia. Quando você consegue entender aquilo em que realmente cremos, você pode acabar descobrindo que também é um Biblicista, especialmente se você ama o Senhor Jesus Cristo e deseja servi-Lo de todo o seu coração.

  •          Antes de você entrar no céu, se você for um Calvinista, Deus lavará sua mente dos dogmas Reformados e você se tornará um Biblicista.




Embora os Calvinistas equiparem e, por conseguinte, confundam o Calvinismo com o evangelho de Jesus Crista, o Calvinismo definitivamente não é o evangelho de nosso Senhor e de Sua graça.





1- C.H. Spurgeon, Spurgeon´s Sovereign Grace Sermos (Edmonton: Still Waters Revival Books, 1990), p. 129.

2-John Piper, Tulip, The Pursuit of God’s Glory in Salvation (Minneapolis, Minn.: Bethlehem Batist Church, 2000), contra capa.

3- H. Hanko, H.C. Hoeksema e J. Van Baren, The Five Points of Calvinism (Grand Rapids, Mich.: Reformed Free Publishing Associantion, 1976), p.45

4- Professor David J. Engelsma, A Defense of Calvinism as the Gospel (South Holland: The Evangelism Committee, Protestant Reformed Church). Retirado de WWW.prca.org/pamphlets/pamphlet_31.html em 11 de maio de 2004.

5- Arthur C. Custance, The Sovereingty of Grace (Phillipsburg, N.J.: Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1979), p. 302.

6- Loraine Boettner, A Doutrina Reformada da Predestinação, p. 3.

7- Ibid., p. 301.

8- Ibid., pp. 301-302.

9- Retirado de um artigo do The Founders Journal, “What Should We Think of Evamgelism and Calvinism”, de Ernest Reisinger, Questão 19/20, nenhuma referência mencionada.

10- Kenneth G. Talbot e W. Gary Crampton, Calvinism, Hiper-Calvinism, And Arminisnism (Edmonton: Still Waters Revival Books, 1990), p. 3.

11- Loraine Boettner, A Doutrina Reformada da Predestinação, pp. 16, 237.

12- Loraine Boettner, A Doutrina Reformada da Predestinação, pp. 248-249.

13- Ibid., p. 249.

14- Ibid.

15- Ibid.

16- C.H. Spurgeon, Spurgeon at His Best, Ed. Tom Carter (Grand Rapids, Mich.: Baker Book House, 1988), p. 27.

17- Ibid.

18- Spurgeon, The Spurgeon Sermom Collection, Vol. 1, p. 86.

19- Ibid.

20- Ibid, p. 196.


21- D. James Kennedy, Why I am a Presbyterian (Fort Lauderdale, Fla.: Coral Ridge Ministries, n.d.), p. 1.



Por: Jack Cottrell



PERGUNTA: A verdadeira fé salvadora em Jesus Cristo inclui necessariamente a crença de que ele é Deus encarnado? Deve-se crer que Jesus é Deus para ser salvo? Pode-se negar sua divindade e ainda ser salvo?


RESPOSTA: Verdadeira fé salvadora é, de fato, fé em Jesus Cristo. Quando o carcereiro de Filipos perguntou a Paulo e Silas, "Senhores, o que devo fazer para ser salvo?" Eles disseram: "Creia no Senhor Jesus, e você será salvo" (Atos 16: 30-31, NASB) . O próprio Jesus já havia deixado isso claro: "Quem nele crer não perecerá, mas terá a vida eterna ...". Aquele que crê nele não é julgado; Aquele que não crer já é julgado, porque não crê no nome do Filho unigênito de Deus "(João 3:16, 18). Aqui, a palavra traduzida "julgada" é krino, que pode ter o significado "condenado" (como a NVI traduz aqui).


Sua fé salvadora exige não só confiar nele, mas também crer que certas coisas sobre ele são verdadeiras. Se você "crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, você será salvo" (Rom 10: 9). Quando o "incrédulo Tomé" foi confrontado pelo Cristo ressurreto, ele foi informado por Jesus para "não ser incrédulo, mas crer." Tomé respondeu e disse-lhe: 'Meu Senhor e meu Deus!' Jesus disse a ele: 'Porque Você me viu, você creu? Bem-aventurados os que não viram, e ainda creram "(João 20: 27-29). Creu em que? Que Jesus tenha ressuscitado dentre os mortos, e que este Jesus seja o SENHOR e DEUS.



Em um ensaio prévio, mostrei que a Bíblia sempre ensina que Jesus é Deus, ou seja, que ele tem uma natureza divina e uma natureza humana. Se pensarmos no Jesus da Bíblia, devemos crer que ele é Deus. A verdadeira fé salvadora deve incluir esse elemento em seu conteúdo.


Penso, no entanto, que devemos fazer uma distinção entre o a) ser ingênuo e ignorante e simplesmente não saber o suficiente sobre a questão, quer para negá-lo especificamente ou para aceitá-lo; E b) entender o que está em jogo, mas negá-lo de qualquer maneira. O primeiro pode ser o caso com muitos jovens ou novos crentes que ainda não foram expostos a todos os que estão envolvidos na crença em Jesus. Isso é algo que eles "crescerão" enquanto "crescem na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Pedro 3:18).


Por outro lado, muitos indivíduos e religiões e grupos quase-cristãos negam conscientemente e deliberadamente que Jesus é a encarnação do Deus Criador transcendente. Eles pensam nele como apenas um homem, ou como a encarnação de um ser angélico criado ou algum outro tipo de super-criatura. Exemplos incluem o influente Ário (floresceu no início do século IV), de quem o arianismo surgiu. Ário disse que Jesus era a encarnação do Logos, mas o Logos era uma criatura semidivina cuja essência era criada ex nihilo e, portanto, não podia ser da mesma essência que Deus. Esta visão foi pronunciada como herética pelo Conselho de Niceia em A.D. 325. Uma versão moderna do arianismo é o culto das Testemunhas de Jeová. Outro culto com uma visão semelhante é The Way International [O Caminho Internacional – tradução livre], iniciado em 1942 em New Knoxville, Ohaio, por Victor Paul Wierwille, que mais tarde (1975) escreveu um livro intitulado Jesus Christ Is Not God [Jesus Cristo não é Deus]. Muitos outros pensaram em Jesus como nada mais do que um homem cuja consciência espiritual era mais temporaria do que qualquer outra pessoa.


O meu julgamento é que aqueles que conscientemente negam a natureza divina de Jesus não têm uma verdadeira fé salvadora e não são verdadeiramente cristãos. Eu digo isso por vários motivos. Por um lado, negar a Jesus é que Deus está negando a verdadeira natureza do próprio Deus, e Hebreus 11: 6 diz que não é verdadeira fé, a menos que ele creia que Deus existe. Isso está falando sobre o Deus verdadeiro, o Deus trinitário revelado no Novo Testamento - não a especulação privada de alguém sobre o que Deus deve ser. Não somos livres para projetar nosso próprio conceito de deidade; Devemos crer no Deus do Novo Testamento, que é a Trindade de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. E Deus o Filho estava encarnado em Jesus de Nazaré.


Além disso, negar que Jesus é Deus está negando a verdadeira natureza de Jesus como tal. Quando Pedro confessou que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus Vivo (Mateus 16:16), ele não estava simplesmente usando palavras nas quais podemos despejar qualquer significado que desejemos. Isto é verdade, especialmente tendo em vista que o conteúdo desta confissão foi revelado e aprovado divinamente (v. 17). E qual foi o significado do título, "Filho de Deus", na comunidade judaica dos dias de Pedro? Episódios registrados em João 5 e João 10 mostram que usar este título foi considerado como uma reivindicação de ser igual a Deus. Além disso, aplicar o título "Senhor" (kurios) a Jesus (o que devemos fazer: Romanos 10: 9-10) significa que devemos pensar nele como Deus. Isso é verdade porque a tradução hebraica do AT (a Septuaginta) usa a palavra grega kurios ("Senhor") para representar o nome sagrado de Deus: Yahweh. Quando os judeus, como o apóstolo Paulo, constantemente chamavam de Jesus Senhor, não podiam deixar de compará-lo com Deus.

Uma última razão pela qual a fé salvadora deve incluir a crença de que Jesus é Deus é esta: negar que Jesus é Deus está negando a verdadeira natureza da salvação que ele obteve por nós. O elemento-chave na salvação é o perdão dos pecados (ou seja, a justificação). Deus pode perdoar nossos pecados (reter o castigo que merecemos) apenas porque esse castigo foi aceito pelo nosso substituto, Jesus. E exatamente qual era o castigo que Jesus estava tomando em si mesmo - em um período finito de tempo - como ele foi à cruz? Nada menos do que o equivalente à eternidade no inferno para toda a raça humana. E o único jeito que ele poderia ter feito era ser mais do que um homem finito ou criatura de qualquer tipo. Sua natureza tinha que ser divina, porque seu sofrimento tinha que ser infinito. Qualquer um que nega a divindade de Jesus DEVE diminuir o conceito de salvação.


Eu posso imaginar alguém lendo isso e pensando: "Esta doutrina é muito profunda. Não podemos esperar que os cristãos comuns absorvam e se comprometam com idéias tão complicadas! "Minha resposta é esta:" CRESÇA! "Estude o que Paulo diz em Efésios 4: 11-16. Os líderes cristãos devem equipar os santos "até que possamos alcançar a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, para um homem maduro, para a medida da estatura que pertence à plenitude de Cristo. Como resultado, não devemos mais ser filhos "e, portanto, vítimas de todos os tipos de doutrinas falsas", mas, falando a verdade no amor, devemos crescer em todos os aspectos naquele que é a cabeça, Cristo ".



Texto em Inglês: http://jackcottrell.com/uncategorized/must-one-believe-jesus-is-god-in-order-to-be-saved/


COMPLETAMENTE ERRADO!

Por: Dr. Leighton Flowers

Dr. Braxton Hunter, um Ph.D. Em Apologética Cristã e o Presidente do Trinity College of the Bible and Theological Seminary, estavam comigo em um debate com dois bons irmãos calvinistas sobre a doutrina de "Total Inabilidade" na última semana. Focamos muito no conceito bíblico de "mortalidade espiritual" e a presunção infundada dos calvinistas de que isso significa que a humanidade nasceu completamente incapaz de responder de bom grado ao próprio Deus.

A analogia de ser "morto" é vista em todas as escrituras, mas pode demonstrar-se que a humanidade nasce completamente e totalmente incapaz de responder voluntariamente ao próprio Deus, como presume o calvinista? Nascemos mortos como Lázaro, um cadáver apodrecendo no túmulo (uma ligação que a escritura nunca desenha), ou morremos como o filho pródigo, um ente querido que vive em rebelião? As Escrituras apoiam o último, em vez do primeiro:

"Porque este filho meu estava morto e voltou à vida; Ele estava perdido e foi encontrado. "E eles começaram a celebrar" (Lucas 15:24).

A morte espiritual parece ser equiparada à "perda" ou "em rebelião", não à "incapacidade total de responder". Da mesma forma, em Romanos 6:11, Paulo também ensina os crentes a se considerarem "mortos para o pecado". Um calvinista consistente teria que interpretar isso [que os crentes estão “mortos para o pecado”] no sentido que os crentes são completamente incapazes de pecar quando tentados. Claro, esse não é o caso. Paulo está ensinando que devemos separar-nos do pecado, da mesma forma que os nossos pecados nos separam de Deus. "Morte" aqui passa a ideia de estar separado, como o filho era de seu pai, e não a incapacidade da vontade de responder ao apelo de Deus para se reconciliar da separação que nos era imposta.

Além disso, se examinarmos mais detalhadamente a história de Lázaro será revelado uma verdade que voa em face da conclusão calvinista.

“Então, Jesus disse-lhes claramente: 'Lázaro está morto, e me agrada por causa de vocês que não estive lá, para que possas crer... '” (João 11: 14-15).

A lição que o Senhor deseja ensinar a seus discípulos não é a conclusão que os calvinistas desenham deste texto (ou seja, Deus efetivamente faz os espiritualmente mortos viverem da mesma maneira que ele levanta Lázaro); Mas, em vez disso, o desejo expresso pelo Senhor é para que as testemunhas "possam crer". Claramente, é dito que um sinal externo tem a capacidade de ajudar os indivíduos a crer, algo que parece completamente supérfluo dada a efetividade da regeneração no sistema calvinista. O texto continua dizendo:

"Jesus disse-lhe:" Eu sou a ressurreição e a vida; Quem crer em Mim mesmo que morra viverá, e todos os que vivem e creem em Mim nunca morrerão. Você crê nisso? "Ela disse-lhe: 'Sim, Senhor; Eu creio que você é o Cristo, o Filho de Deus, aquele que viria ao mundo " ... Disse-lhe Jesus: “Eu não disse para você que se você crer, você verá a glória de Deus?” (João 11: 25-27; 40).

Mais uma vez, é a fé das testemunhas oculares, não de Lázaro, em que Jesus parece estar focado nesse discurso. Além disso, a responsabilidade é colocada no indivíduo de crer para viver, e não o contrário. O foco deste texto é sobre a resposta de fé das testemunhas do milagre de Cristo e a ressurreição final dos crentes dentre os mortos. Lembre-se, Lázaro era um crente, não um Totalmente depravado, então esse milagre provavelmente representa a ressurreição do crente da morte do que um desenho soteriológico irresistível do perdido para a fé.

"Então eles removeram a pedra. Então Jesus ergueu os olhos e disse: “Pai, agradeço-lhe, pois me ouvistes”. Eu sabia que você sempre me ouvia; Mas por causa das pessoas que estão de pé, eu disse isso, para que eles acreditassem que você me enviou... Portanto, muitos dos judeus que vieram a Maria e viram o que havia feito, creram nele "(João 11: 41-42 ; 45).

Jesus expressa o desejo das testemunhas crerem com base no que viram, algo no Calvinismo que é uma certeza para os Eleitos e absolutamente impossível para os réprobos, independentemente do milagre que algum deles testemunhe. Observe que Jesus descreve a fé das testemunhas oculares como uma resposta direta aos que viram, não um trabalho interno sobrenatural de regeneração ou uma escolha incondicional antes da fundação do tempo.

Em nenhum lugar nesta passagem, ou em qualquer outro, encontramos o conceito de mortalidade espiritual como sendo referência à incapacidade total, mas a história de Lázaro é um dos textos-prova mais citados pelos calvinistas em defesa desta doutrina.

Consideremos outras passagens que usam a analogia da "morte". Por exemplo, dê uma olhada nas próprias palavras de Jesus para a igreja em Sardes:

"Ao anjo da igreja em Sardes escreva: Estas são as palavras daquele que detém os sete espíritos de Deus e as sete estrelas. Conheço suas ações; Você tem uma reputação de estar vivo, mas você está morto. Desperta! Fortalece o que resta e o que está a ponto de morrer, pois encontrei suas obras inacabadas à vista do meu Deus. Lembre-se, portanto, do que você recebeu e ouviu; Segure-o rápido e arrependa-se. Mas se você não despertar, eu virei como um ladrão, e você não saberá a que horas eu venho até você. "(Apocalipse 3: 1-6)

Claramente, Jesus espera plenamente que esta igreja atenda o seu aviso e responda em arrependimento, apesar do fato de ele os chamar de "mortos". O calvinista pode opor-se ao dizer: "Mas Jesus está falando com a igreja e não com os perdidos, então não se aplica ao nosso ponto de controvérsia".  Eu discordo, e aqui está o motivo:

1.       O ponto é simplesmente mostrar como a analogia de ser "morto" não implica necessariamente uma "incapacidade de cadáver". Esse uso da palavra ilustra esse ponto porque, claramente, aqueles que estão na igreja devem "despertar" e "arrepender-se" "O peso fica sobre o calvinista para produzir exemplos em que essa analogia demonstra explicitamente o conceito de “incapacidade total” de responder à Palavra vivificadora de Deus”.
2.       Os ensinamentos calvinistas sobre "Compatibilismo" também se aplicam às escolhas dos santos (os eleitos) e dos réprobos (os não eleitos). De acordo com o Compatibilista, uma pessoa sempre escolherá de acordo com seu maior desejo, que é determinado pela natureza dada por Deus e pelas circunstâncias divinamente controladas em que esse indivíduo faz a escolha. [1] Portanto, a escolha de um cristão é tanto sob a "providência soberana e meticulosa" de Deus quanto às escolhas dos réprobos. Assim, de acordo com um calvinista consistente, os crentes "mortos" em Sardes eram tão incapazes de responder aos apelos de Cristo para se arrepender, assim como os "réprobos mortos" foram chamados pelo evangelho ao arrependimento pela primeira vez. Em outras palavras, se o Compatibilismo for verdadeiro, então o crente "morto" em Sardes e o réprobo "morto" são igualmente incapazes de arrependimento, além do gracioso trabalho de Deus, para efetuar essa resposta voluntária. Assim, o ônus da prova ainda está com o calvinista para demonstrar que a analogia de ser "morto", em ambos os casos, é igual à "incapacidade do cadáver".
Paulo é conhecido por usar a analogia de ser "morto" ao lado do conceito de estar incluído "nele", como vemos aqui:

"Nele, você também foi circuncidado com uma circuncisão feita sem mãos, na remoção do corpo da carne pela circuncisão de Cristo; Tendo sido enterrado com ele no batismo, no qual você também foi ressuscitado com ele pela fé na ação de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. Quando você estava morto em suas transgressões e na incircuncisão da sua carne, Ele os vivificou junto com Ele, tendo nos perdoado todas as nossas transgressões "(Colossenses 2: 11-13).
Aqui, Paulo parece relacionar a circuncisão com fazer viver. Deut. 10:16 diz: "Circuncida seus corações, portanto, e deixem de ser obstinados", o que parece indicar que é responsabilidade do homem se arrepender humildemente, como se repete em Jer. 4: 4:

"Circuncida-se ao Senhor e remova os prepúcios do seu coração, homens de Judá e habitantes de Jerusalém, ou a minha ira virá como fogo, queimarão e ninguém impedirá de queimá-la, por causa do mal das suas obras".

Isso é paralelo ao ensinamento de Paulo em Efésios 1 e 2, que também se refere aos santos como tendo sido uma vez morto, mas sendo feito vivo por Deus. Ambos calvinistas e não calvinistas afirmam que todos nós estávamos mortos em nossos pecados e nos tornamos vivos junto com ele. O ponto em discussão é sobre se o pecador morto tem qualquer responsabilidade em ser levantado. O conceito de "morte" deve sugerir que a humanidade não tem responsabilidade (capacidade de responder) ao apelo de Deus para "arrepender-se e viver" (Números 21: 8-9; Ezequiel 18:32; 33:11; João 6 : 40; João 20:31).

O texto indica que somos "vivificados junto com Ele", e é responsabilidade da humanidade ser incluída "nele", através da fé:

"E você também foi incluído em Cristo quando você ouviu a mensagem da verdade, o evangelho da sua salvação. Quando você creu, você foi marcado nele com um selo, o Espírito Santo prometido, que é um depósito que garante nossa herança até a redenção da possessão de Deus - para o louvor da sua glória" (Efésios 1: 13-14 ).

Quando você estava "marcado nele?"

"Quando você creu", de acordo com o texto.

Claramente, é preciso crer para ser marcado "nele" e receber o Espírito Santo, e não o contrário. É "nele" que somos "vivificados" ou "ressuscitados", de acordo com os textos citados acima.

Em nenhum lugar na Bíblia o conceito de ser "morto" significa que a humanidade não tem responsabilidade em se humilhar e se arrepender com fé para ser "vivificaado juntamente com Ele". Como Paulo ensina em Romanos 8:10, " Se Cristo está em você, embora o corpo esteja morto por causa do pecado, o espírito está vivo por causa da justiça ".

O tema de ser "ressuscitado", "vivificado", "exaltado" ou "levantado" é tratado ao longo das escrituras, e não é difícil ver a expectativa de Deus para aqueles que ele graciosamente levanta:

1 Pedro 5: 5-6: "Deus se opõe aos soberbos, mas mostra o favor aos humildes". Humilhe-se, portanto, sob a mão poderosa de Deus, para que ele o levante no devido tempo.

Tiago 4:10: "Humilhe-se perante o Senhor, e ele o levantará".

Mateus 23:12: Pois aqueles que se exaltam serão humilhados, e os que se humilharem serão exaltados.

Salmo 18:27: Salva os humildes, mas abate aqueles que são altivos.

Salmo 147: 6: O Senhor sustenta os humildes, mas lança os ímpios no chão.

Mateus 18: 4: Quem se humilha como este é o maior no reino dos céus.

Lucas 18:14: "Eu lhe digo que este homem, em vez do outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois todos os que se exaltam serão humilhados, e aqueles que se humilham serão exaltados ".

Nem uma vez nas Escrituras ensina que Deus é o único responsável por nos humilhar para que nós "sejam levantados", "levantados", "exaltados" ou "façam vivos junto com Ele".

Em Tiago 1: 14-15, afirma: "Mas cada um é tentado quando, por seu próprio desejo maligno, ele é arrastado e seduzido. Então, após o desejo ter concebido, dá origem ao pecado; E o pecado, quando é crescido, dá à luz a morte ". Da mesma forma, Paulo diz em Romanos 7: 9-10:" Antes eu vivia à parte da Lei; Mas quando o mandamento veio, o pecado tornou-se vivo e eu morri; E esse mandamento, que resultou na vida, provou resultar em morte para mim ". No entanto, os calvinistas ensinam que já nascemos mortos. Então, qual é? Claramente, a analogia da "morte" pode conter diferentes conotações, nenhuma das quais pode ser mostrada pelo texto como "incapacidade total" desde o nascimento.

Finalmente, se a morte espiritual é tomada de uma maneira literal pelo calvinista quando se trata da incapacidade da humanidade de responder de bom grado, então, por que o "cadáver do homem morto" responde involuntariamente? Um cadáver não poderia "pegar o colete salva-vidas quando é oferecido", como o calvinista gosta de apontar, mas um cadáver também não poderia ativamente nadar para longe disso, como é a resposta rebelde de muitos para o evangelho. Na verdade, existem todos os tipos de respostas diferentes para o Colete salva-vidas. Alguns nadam em torno dela por um tempo e parecem genuinamente interessados. Outros zombam com raiva. De fato, duas pessoas "mortas" não respondem exatamente da mesma maneira ao colete salva-vidas, o que, obviamente, não seria verdade se eles literalmente respondessem como um cadáver.

Mais uma vez, a presunção calvinista é apenas isso, uma presunção que eles leem no texto que simplesmente nunca é fundamentado por nenhum ensinamento bíblico explícito.


[1] John Hendryx, citado por Phil Johnson e James White em defesa do Compatibilismo: https://www.monergism.com/topics/free-will/compatibilism

Texto em Inglês: https://soteriology101.wordpress.com/2016/03/23/dead-wrong/