Retirado do Livro: O Lado Negro do Calvinismo, George Bryson. pp. 39-48.







Para um Calvinista, as particularidades doutrinárias do Calvinismo (às vezes chamadas de “as doutrinas da graça”) são nada mais nada menos do que o evangelho de Jesus Cristo encontrado ao longo de todas as páginas do Novo Testamento. Os Calvinistas também equiparam essas assim chamadas doutrinas da graça com os cinco pontos do Calvinismo. O mui amado “Príncipe dos Pregadores”, Charles Spurgeon, vangloria-se:



Não existe tal coisa como pregar a Cristo e este crucificado, a menos que você pregue o que... é chamado de Calvinismo... É trivial chamá-lo de Calvinismo; o Calvinismo é o evangelho, e nada mais. ¹




O Batista Reformado extremamente fervoroso, John Piper, alega:



As doutrinas da graça (Depravação Total, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível e Perseverança dos Santos) são o tecido e a textura do evangelho bíblico tão estimado por muitos santos ao longo dos séculos. ²




A despeito de os Calvinistas equipararem o Calvinismo com o evangelho, ainda estou por conhecer um Calvinista que afirme ter abraçado os cinco pontos do Calvinismo no momento em que se voltou em fé para Jesus Cristo. Para alguns, o intervalo de tempo entre a conversão a Cristo e a conversão ao Calvinismo pode ser de muitos anos, até mesmo décadas. Mas não estariam estes querendo dizer com isso que eles não estavam realmente salvos até que vieram a compreender e aceitar a Teologia Reformada como o evangelho? Se os cinco pontos do Calvinismo podem ser equiparados ao evangelho, o qual “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16), por que não ouvimos os Calvinistas falando aos perdidos sobre os cinco pontos? Se a versão Calvinista das doutrinas da graça é equivalente ao verdadeiro evangelho, e crer no verdadeiro evangelho é necessário para salvação, por que é que a maioria dos verdadeiros Calvinistas evitam qualquer discussão sobre essas assim chamadas doutrinas da graça ao tentarem conquistar o perdido para a fé em Cristo? Estas são questões muito importantes que exigem uma resposta honesta e objetiva.



Para muitos cristãos de uma vasta gama de convicções e tradições teológicas, nada poderia se mais importante do que a fidelidade ao evangelho de Jesus Cristo. Em meus muitos anos de cristão, tenho conhecido bem poucos cristãos professos que abandonaram a fé por rejeitarem abertamente o evangelho da graça de Deus. Porém, infelizmente, conheço muitos cristãos que se tornaram vítimas daqueles que distorcem a verdade do glorioso evangelho de nosso Salvador.



Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. (Gálatas 1:6-8)




Para que fique claro, estas palavras não apenas são desagradáveis, como representam um problema sério e preocupante para o calvinista. Até porque, de acordo com Paulo, é possível a alguém se desviar do Senhor depois de haver voltado para Ele. A pergunta que faço a meus amigos calvinistas é a seguinte: O evangelho pregado pelo Calvinismo, ou assim chamados cinco pontos do Calvinismo, é o mesmo evangelho que Paulo pregou e no qual os gálatas creram, visto que eles claramente se desviaram do Senhor? Faço esta pergunta porque muitos calvinistas tem confundido os cinco pontos do Calvinismo com o evangelho de Jesus Cristo. Sabemos que o apóstolo Paulo jamais se envergonhou:


... do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê... (Romanos 1:16)




Quando você se achegou pela primeira vez a Cristo com fé Nele, ou, se preferir, quando veio a Cristo pela fé, você creu nos cinco pontos do Calvinismo? Ou você simplesmente creu e abraçou espontaneamente as verdades das Escrituras que nos dizem que Cristo morreu por nossos pecados e, em seguida, ressuscitou vitorioso sobre a morte? O apóstolo Paulo declarou:


TAMBÉM vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. (1 Coríntios 15:1-4)



Se o evangelho no qual você creu em sua conversão foi o verdadeiro evangelho descrito em 1 Coríntios 15:1-4, o que isso tem a ver com os cinco pontos do Calvinismo? Você provavelmente sequer havia ouvido falar sobre os cinco pontos até algum tempo depois da sua conversão. Lembre-se também que esse assim chamado evangelho do Calvinismo mudou completamente seu entendimento acerca do evangelho de Jesus Cristo quando você se converteu ao Calvinismo. Não seria possível que você estivesse salvo por haver crido no verdadeiro evangelho e, mais tarde, tenha se desviado seriamente por aceitar os cinco pontos do Calvinismo como o evangelho? Ou seria plausível admitir que você não tenha realmente ouvido e atendido a pregação e o convite do evangelho até que os cinco pontos do Calvinismo lhe houvessem sido apresentados? Alguns de fora dos círculos reformados (ou quase dentro deles) têm sugerido que eu estou exagerando ao acusar os calvinistas de equipararem o Calvinismo com o evangelho. No entanto, grande parte da literatura reformada e do testemunho de lideres calvinistas em todos os lugares são passíveis desta acusação.


O teólogo Reformado Herman Hoeksema, por exemplo, diz:


...para mim a verdade do evangelho e a fé Reformada são sinônimos. ³



Segundo o Calvinista David Engelsma:


O Calvinismo é o Evangelho. Suas notáveis doutrinas são simplesmente as verdades que compõem o Evangelho. ⁴




De igual modo, o Calvinista Arthur Custance declara:




O Calvinismo é o Evangelho e ensinar o Calvinismo é de fato pregar o Evangelho. É questionável se a dogmática teológica não Calvinista é realmente Cristã. ⁵



Se você é hoje um Calvinista, quando a verdade do evangelho e a fé Reformada se tornaram sinônimos para você? Tudo indica que isso ocorreu algum tempo depois de você ao menos haver pensado ter recebido a Cristo como Senhor e Salvador. A questão é: Você poderia realmente ter sido salvo crendo naquilo que no fim das contas acabou se revelando não ser o verdadeiro evangelho? Está claro a partir de seu próprio testemunho que Spurgeon, por exemplo, sequer conhecia os  cinco pontos ou as assim chamadas doutrinas da graça até haver sido iniciado no Calvinismo algum tempo depois de chegar à fé em Cristo. Se devemos crer no evangelho para sermos salvos, como admitem os Calvinistas, acaso não estariam todos os Calvinistas perdidos durante o período em que apenas pensaram haver recebido a Cristo como Senhor e Salvador, visto que eles ainda não estavam convictos do Calvinismo?



De acordo com Loraine Boettner:



...a Fé Reformada... sem nenhuma dúvida é o ensino da razão e da Bíblia. ⁶



Falando provavelmente pela maioria, se não por todos os Calvinistas, Boettner também declara:



...sustentamos que uma exposição completa e detalhada do sistema Cristão pode ser dada somente com base na verdade apresentada pelo sistema Calvinista. ⁷



Assim, segundo Boettner, o sistema Cristão que você professa é, na melhor das hipóteses, parcial e incompleto se não estiver de acordo com o Calvinismo. Boettner não faz rodeios teológicos quando afirma:



A Bíblia revela um esquema de redenção que é Calvinista do princípio ao fim, e todas as doutrinas são ensinadas com tão inescapável clareza que a questão é aceita por todos aqueles que aceitam a Bíblia como a Palavra de Deus. ⁸



É isso. Ou você crê que a Bíblia ensina a doutrina Reformada da redenção e, consequentemente, a doutrina Reformada da predestinação, ou você não aceita a Bíblia como a Palavra de Deus. Se você acha que isso soa um tanto extremo, prepare-se; os Calvinistas vão muito mais além em seus clamores em favor da Teologia Reformada. B. B. Warfield, por exemplo, um gigante teológico para muitos Calvinistas, diz:


...o Calvinismo ó o próprio Cristianismo... nada mais nada menos do que a esperança para o mundo.⁹


Os Calvinistas Kenneth Talbot e Gary Crampton expressam aquilo que quero dizer quando afirmam:


...qualquer comprometimento do Calvinismo é um passo em direção ao humanismo. ¹⁰



Buettner vai ainda mais longe ao declarar que:


...nenhum ponto consistente de parada será encontrado em que não haja o ateísmo... não há chão consistente entre o Calvinismo e o Ateísmo.¹¹



Afirmar que os Calvinistas levam a sério seu Calvinismo seria amenizar os fatos. Se o Calvinismo é aquilo que eles acreditam ser — o evangelho, o Cristianismo, a esperança para o mundo, etc. — é porque eles devem leva-lo a sério demais.



Com base em sua convicção de que o Calvinismo é o evangelho, pode parecer razoável que os Calvinistas neguem que os não-Calvinistas sejam verdadeiros Cristãos, ou creiam que apenas os Calvinistas podem ser salvos, Logicamente, esta seria uma suposição plausível. Os Calvinistas, no entanto, não estão geralmente preocupados com as implicações lógicas de seu sistema teológico. A maioria dos Calvinistas, de fato, não chega a ir tão longe a ponto de negar que os Evangélicos não-Calvinistas sejam verdadeiros cristãos. Apenas os mais extremados — aqueles na periferia do Calvinismo — costumam extrapolar em suas declarações afirmando que somente os Calvinistas são ou serão salvos. Boettner até mesmo diz que:



Como Calvinistas nós alegremente reconhecemos como nossos irmãos Cristãos quaisquer [pessoas] que confiem em Cristo para a sua salvação, independentemente do quão inconsistentes suas demais crenças possam ser. Nós acreditamos, contudo, que o Calvinismo é o único sistema... inteiramente verdadeiro.¹²



  •          Se, como creem os Calvinistas, o Calvinismo é equivalente ao evangelho,


E:

  •          Se, como admitem os Calvinistas, o perdido deve crer no verdadeiro evangelho a fim de se tornar um salvo,


E:


  •          Se, como os Calvinistas argumentam, os não-Calvinistas não creem no verdadeiro evangelho,


Então:


  •          Como podem os Calvinistas reconhecer os não-Calvinistas como salvos?




Evidentemente, eles não podem. Porém, de fato, eles o fazem. Ate onde posso afirmar, os Calvinistas tradicionais nem sequer tentam explicar como isso é possível. O modo como muitos dos principais defensores do Calvinismo veem os não-Calvinistas é provavelmente melhor expresso nas palavras creditadas por Boettner a F. E. Hamilton. Segundo Boettner, Hamilton diz:



Um homem cego, surdo e mudo pode, é verdade, saber algo a respeito do mundo ao seu redor através dos sentidos remanescentes, mas... um conhecimento será muito imperfeito e provavelmente inacurado. Num sentido similar, um Cristão que nunca conheceu ou que nunca aceitou a ensinamentos mais profundos da Bíblia, os quais o Calvinismo incorpora, pode ser um Cristão, mas ele será um Cristão imperfeito; e deveria ser tarefa daqueles que conhecem toda a verdade tentar guia-lo até o único depósito que contém as riquezas completas do verdadeiro Cristianismo. ¹³





Isso quer dizer que todos os Evangélicos não-Reformados, homens como Billy Graham, C. S. Lewis, John Wesley, D. L. Moody, Charles Ryrie, Chuck Swindoll, Chuck Smith, Charles Stanley, assim como incontáveis milhões de outros Cristãos que eles representam, são espiritualmente cegos, surdos e mudos. É surpreendente que, dada essa condição espiritual deplorável de ser um não-Reformado, o Calvinista George Whitfield tenha conseguido tolerar John Wesley por tanto tempo.




Até mesmo o que por fora podem parecer declarações conciliatórias feitas por Calvinistas sobre os demais Evangélicos, muitas vezes acabam por ser elogios dissimulados. E eu enfatizo a palavra dissimulados. Boettner, por exemplo, cita com aprovação um dos primeiros editores da revista Christianity Today [Cristianismo Hoje], S. G. Craig, quando este afirma:


O Calvinista... não difere dos outros Cristãos em espécie, mas somente em grau, como espécimes mais ou menos boas de algo diferem de espécimes mais ou menos ruins... ¹⁴



Se alguém supõe que isto faz com que nos sintamos melhor, fico a imaginar como uma declaração com a intenção de ofender soaria. Da mesma forma Boettner diz:


...não somos todos Calvinistas enquanto trilhamos o caminho para o céu, mas seremos todos Calvinistas quando chegarmos lá. ¹⁵




E de modo semelhante, Charles Spurgeon declara:


... eu não pergunto se vocês creem em tudo isso [no Calvinismo]. É possível que vocês não possam. Mas, eu creio que vocês crerão antes de entrar no céu. ¹⁶




Não significaria isso que Spurgeon acreditava que todos os não-Calvinistas poderiam, eventualmente durante sua jornada terrena, ser persuadidos de que o Calvinismo é verdadeiro? Se não, como um Cristão que jamais foi convencido ou que jamais se convertera ao Calvinismo nesta vida se tornará um Calvinista antes de entrar na próxima?
Afinal, segundo Spurgeon:


Deus... lavará suas mentes antes de vocês entrarem no céu. ¹⁷




Assim, a menos que você seja um Calvinista, você é mais ou menos um espécime ruim de Cristão que necessita de uma lavagem teológico-cerebral. Com tais convicções, o Calvinista pode justificar seu proselitismo entre outros cristãos, incluindo a cisão de igrejas não-Calvinistas, como nada mais do que uma ajuda a Deus neste processo de lavagem cerebral. É certo que, por vezes, aquilo que os Calvinistas afirmam sobre outros Cristãos não tem a intenção de fazer com que nos sintamos mal ou de nos deixar desanimados. Antes, destina-se a fazê-los sentir-se bem consigo mesmos e confortáveis com sua fé Reformada. O fato de fazerem isso às nossas custas é lamentável, porém é algo inevitável para muitos Calvinistas.
Um verdadeiro Calvinista não apenas crê que os cinco pontos do Calvinismo expressam o verdadeiro evangelho e as doutrinas da graça ensinadas na Bíblia, como também afirma que essas particularidades do Calvinismo incorporam o que eles chamam de as profundas verdades das Escrituras. Essas não são as doutrinas comuns que o Calvinismo compartilha com o Cristianismo em geral, mas as particularidades que o distingue da grande maioria do mundo Cristão. Supostamente, as particularidades doutrinárias do Calvinismo são ensinadas com tal “clareza inescapável” nas páginas da Bíblia que praticamente qualquer pessoa deveria ser capaz de enxerga-las ao ler as Escrituras. Spurgeon, por exemplo, nos diz:


Um ilustre senhor, um incrédulo, disse certa vez a Whitfield, “Meu caro senhor, eu sou um incrédulo, eu não creio na Bíblia, mas se a Bíblia é verdadeira, você está certo, e seus opositores Arminianos estão errados. Se a Bíblia é a Palavra de Deus, as doutrinas da graça são verdadeiras”; a isso acrescentamos que, se alguém desejasse mostrar-lhe que a Bíblia é a verdade, o tal deveria desafia-lo a refutar o Calvinismo. ¹⁸



Spurgeon prossegue dizendo:


As doutrinas do pecado original, da eleição, do chamado eficaz, da perseverança até o fim, e todas aquelas grandes verdades chamadas de Calvinismo — embora Calvino não as tenha formulado, antes fora simplesmente um hábil escritor e pregador do assunto — são, eu creio, as doutrinas essenciais do Evangelho que repousa em Jesus Cristo. ¹⁹


Ele também afirma:


Não é nenhuma novidade... [o que] eu estou pregando; nenhuma nova doutrina. Eu amo proclamar essas vigorosas e antigas doutrinas que são cognominadas de Calvinismo, mas que são certamente e de fato a verdade revelada de Deus que está em Cristo Jesus. ²⁰




É compreensível, dadas as explicações mutuamente excludentes com respeito ao que creem Calvinistas e Evangélicos não-Calvinistas sobre o porquê alguns irão para o céu e outros para o inferno, a extrema dificuldade, se não a impossibilidade, para os teólogos Reformados de argumentar em favor do Calvinismo sem contrapor todas as outras formas de Evangelicalismo. Eu não os culpo por fazê-lo. Estou pronto a admitir que uma explicação e defesa dos pontos de vista de um Biblicista é, até certo ponto, um ataque ao Calvinismo como sistema. Isso pode ser verdade até mesmo quando o Calvinismo não é o ponto principal em questão.



Como temos notado, enquanto alguns Calvinistas admitem apenas a contragosto que um não-Calvinista pode ser um verdadeiro Cristão, outros alegremente nos aceitam como irmãos na fé e coerdeiros com Cristo. Entretanto, mesmo entre aqueles que se sentem aparentemente felizes em nos considerar como parte da família, muitos sugerem que não podemos verdadeiramente amar o Senhor ou Sua Palavra com o mesmo fervor ou profundidade que eles. Por exemplo, D. James Kennedy, alguém que normalmente não é considerado hostil aos não-Calvinistas, diz:


Sou um Calvinista precisamente por que eu amo a Bíblia e o Deus da Bíblia. As doutrinas do sistema teológico Calvinista são as doutrinas da Bíblia. Quando você consegue entender aquilo em que realmente cremos você pode acabar descobrindo que também é um Calvinista especialmente se você ama o Senhor Jesus Cristo e deseja servi-Lo de todo o seu coração. ²¹



Eu detesto contestar os motivos, mas lendo isto, parece razoável concluir que Kennedy está usando um certo apelo psicológico-espiritual. Afinal, qual o Cristão que não ama o Senhor Jesus Cristo e deseja servi-Lo de todo e seu coração? Eu o amo, e desejo servi-Lo. Se Kennedy estivesse certo, eu deveria querer me tornar um Calvinista imediatamente. Ou talvez eu deva ter sido Calvinista esse tempo todo. Não tenho a pretensão de sondar o coração de Kennedy ou o motivo pelo qual ele afirma isto aqui. Suas palavras, no entanto, soam bastantes condescendentes para mim. Você é capaz de imaginar os protestos se um não-Calvinista invertesse a questão? Suponha que eu dissesse:


  •          Como Biblicistas, nós alegremente reconhecemos como nossos irmãos Cristãos quaisquer que confiem em Cristo para a sua salvação, independentemente do quão [in]consistente[s] suas demais crenças possam ser. Nós acreditamos, contudo, que o Calvinismo como sistema é demasiado deficiente.

  •          Um homem cego, surdo e mudo pode, é verdade, saber algo a respeito do mundo ao seu redor através dos sentidos remanescentes, mas o seu conhecimento será muito imperfeito e provavelmente inacurado. Num sentido similar, um Calvinista que nunca conhece ou que nunca aceita os ensinamentos mais profundas da Bíblia os quais o Calvinismo não incorpora, pode ser um Cristão, mas ele será um Cristão imperfeito; e deveria ser tarefa dos Biblicistas que conhecem toda a verdade tentar guiá-lo até o único depósito que contém as riquezas completas do verdadeiro Cristianismo.

  •          O Biblicista... não difere dos Cristãos Calvinistas em espécie, mas somente em grau, como espécimes mais ou menos bons de algo diferem de espécimes mais ou menos ruins do algo.

  •          ...não somos todos Biblicistas enquanto trilhamos o caminho para o céu, mas ou creio que antes de entrarmos no céu todos nós nos tomaremos Biblicistas e deixaremos, portanto, de ser Calvinistas.

  •          Sou um Biblicista e não um Calvinista precisamente porque eu amo a Bíblia e o Deus da Bíblia. As doutrinas do sistema teológico Biblicista são as doutrinas da Bíblia. Quando você consegue entender aquilo em que realmente cremos, você pode acabar descobrindo que também é um Biblicista, especialmente se você ama o Senhor Jesus Cristo e deseja servi-Lo de todo o seu coração.

  •          Antes de você entrar no céu, se você for um Calvinista, Deus lavará sua mente dos dogmas Reformados e você se tornará um Biblicista.




Embora os Calvinistas equiparem e, por conseguinte, confundam o Calvinismo com o evangelho de Jesus Crista, o Calvinismo definitivamente não é o evangelho de nosso Senhor e de Sua graça.





1- C.H. Spurgeon, Spurgeon´s Sovereign Grace Sermos (Edmonton: Still Waters Revival Books, 1990), p. 129.

2-John Piper, Tulip, The Pursuit of God’s Glory in Salvation (Minneapolis, Minn.: Bethlehem Batist Church, 2000), contra capa.

3- H. Hanko, H.C. Hoeksema e J. Van Baren, The Five Points of Calvinism (Grand Rapids, Mich.: Reformed Free Publishing Associantion, 1976), p.45

4- Professor David J. Engelsma, A Defense of Calvinism as the Gospel (South Holland: The Evangelism Committee, Protestant Reformed Church). Retirado de WWW.prca.org/pamphlets/pamphlet_31.html em 11 de maio de 2004.

5- Arthur C. Custance, The Sovereingty of Grace (Phillipsburg, N.J.: Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1979), p. 302.

6- Loraine Boettner, A Doutrina Reformada da Predestinação, p. 3.

7- Ibid., p. 301.

8- Ibid., pp. 301-302.

9- Retirado de um artigo do The Founders Journal, “What Should We Think of Evamgelism and Calvinism”, de Ernest Reisinger, Questão 19/20, nenhuma referência mencionada.

10- Kenneth G. Talbot e W. Gary Crampton, Calvinism, Hiper-Calvinism, And Arminisnism (Edmonton: Still Waters Revival Books, 1990), p. 3.

11- Loraine Boettner, A Doutrina Reformada da Predestinação, pp. 16, 237.

12- Loraine Boettner, A Doutrina Reformada da Predestinação, pp. 248-249.

13- Ibid., p. 249.

14- Ibid.

15- Ibid.

16- C.H. Spurgeon, Spurgeon at His Best, Ed. Tom Carter (Grand Rapids, Mich.: Baker Book House, 1988), p. 27.

17- Ibid.

18- Spurgeon, The Spurgeon Sermom Collection, Vol. 1, p. 86.

19- Ibid.

20- Ibid, p. 196.


21- D. James Kennedy, Why I am a Presbyterian (Fort Lauderdale, Fla.: Coral Ridge Ministries, n.d.), p. 1.



Por: Jack Cottrell



PERGUNTA: A verdadeira fé salvadora em Jesus Cristo inclui necessariamente a crença de que ele é Deus encarnado? Deve-se crer que Jesus é Deus para ser salvo? Pode-se negar sua divindade e ainda ser salvo?


RESPOSTA: Verdadeira fé salvadora é, de fato, fé em Jesus Cristo. Quando o carcereiro de Filipos perguntou a Paulo e Silas, "Senhores, o que devo fazer para ser salvo?" Eles disseram: "Creia no Senhor Jesus, e você será salvo" (Atos 16: 30-31, NASB) . O próprio Jesus já havia deixado isso claro: "Quem nele crer não perecerá, mas terá a vida eterna ...". Aquele que crê nele não é julgado; Aquele que não crer já é julgado, porque não crê no nome do Filho unigênito de Deus "(João 3:16, 18). Aqui, a palavra traduzida "julgada" é krino, que pode ter o significado "condenado" (como a NVI traduz aqui).


Sua fé salvadora exige não só confiar nele, mas também crer que certas coisas sobre ele são verdadeiras. Se você "crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, você será salvo" (Rom 10: 9). Quando o "incrédulo Tomé" foi confrontado pelo Cristo ressurreto, ele foi informado por Jesus para "não ser incrédulo, mas crer." Tomé respondeu e disse-lhe: 'Meu Senhor e meu Deus!' Jesus disse a ele: 'Porque Você me viu, você creu? Bem-aventurados os que não viram, e ainda creram "(João 20: 27-29). Creu em que? Que Jesus tenha ressuscitado dentre os mortos, e que este Jesus seja o SENHOR e DEUS.



Em um ensaio prévio, mostrei que a Bíblia sempre ensina que Jesus é Deus, ou seja, que ele tem uma natureza divina e uma natureza humana. Se pensarmos no Jesus da Bíblia, devemos crer que ele é Deus. A verdadeira fé salvadora deve incluir esse elemento em seu conteúdo.


Penso, no entanto, que devemos fazer uma distinção entre o a) ser ingênuo e ignorante e simplesmente não saber o suficiente sobre a questão, quer para negá-lo especificamente ou para aceitá-lo; E b) entender o que está em jogo, mas negá-lo de qualquer maneira. O primeiro pode ser o caso com muitos jovens ou novos crentes que ainda não foram expostos a todos os que estão envolvidos na crença em Jesus. Isso é algo que eles "crescerão" enquanto "crescem na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Pedro 3:18).


Por outro lado, muitos indivíduos e religiões e grupos quase-cristãos negam conscientemente e deliberadamente que Jesus é a encarnação do Deus Criador transcendente. Eles pensam nele como apenas um homem, ou como a encarnação de um ser angélico criado ou algum outro tipo de super-criatura. Exemplos incluem o influente Ário (floresceu no início do século IV), de quem o arianismo surgiu. Ário disse que Jesus era a encarnação do Logos, mas o Logos era uma criatura semidivina cuja essência era criada ex nihilo e, portanto, não podia ser da mesma essência que Deus. Esta visão foi pronunciada como herética pelo Conselho de Niceia em A.D. 325. Uma versão moderna do arianismo é o culto das Testemunhas de Jeová. Outro culto com uma visão semelhante é The Way International [O Caminho Internacional – tradução livre], iniciado em 1942 em New Knoxville, Ohaio, por Victor Paul Wierwille, que mais tarde (1975) escreveu um livro intitulado Jesus Christ Is Not God [Jesus Cristo não é Deus]. Muitos outros pensaram em Jesus como nada mais do que um homem cuja consciência espiritual era mais temporaria do que qualquer outra pessoa.


O meu julgamento é que aqueles que conscientemente negam a natureza divina de Jesus não têm uma verdadeira fé salvadora e não são verdadeiramente cristãos. Eu digo isso por vários motivos. Por um lado, negar a Jesus é que Deus está negando a verdadeira natureza do próprio Deus, e Hebreus 11: 6 diz que não é verdadeira fé, a menos que ele creia que Deus existe. Isso está falando sobre o Deus verdadeiro, o Deus trinitário revelado no Novo Testamento - não a especulação privada de alguém sobre o que Deus deve ser. Não somos livres para projetar nosso próprio conceito de deidade; Devemos crer no Deus do Novo Testamento, que é a Trindade de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. E Deus o Filho estava encarnado em Jesus de Nazaré.


Além disso, negar que Jesus é Deus está negando a verdadeira natureza de Jesus como tal. Quando Pedro confessou que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus Vivo (Mateus 16:16), ele não estava simplesmente usando palavras nas quais podemos despejar qualquer significado que desejemos. Isto é verdade, especialmente tendo em vista que o conteúdo desta confissão foi revelado e aprovado divinamente (v. 17). E qual foi o significado do título, "Filho de Deus", na comunidade judaica dos dias de Pedro? Episódios registrados em João 5 e João 10 mostram que usar este título foi considerado como uma reivindicação de ser igual a Deus. Além disso, aplicar o título "Senhor" (kurios) a Jesus (o que devemos fazer: Romanos 10: 9-10) significa que devemos pensar nele como Deus. Isso é verdade porque a tradução hebraica do AT (a Septuaginta) usa a palavra grega kurios ("Senhor") para representar o nome sagrado de Deus: Yahweh. Quando os judeus, como o apóstolo Paulo, constantemente chamavam de Jesus Senhor, não podiam deixar de compará-lo com Deus.

Uma última razão pela qual a fé salvadora deve incluir a crença de que Jesus é Deus é esta: negar que Jesus é Deus está negando a verdadeira natureza da salvação que ele obteve por nós. O elemento-chave na salvação é o perdão dos pecados (ou seja, a justificação). Deus pode perdoar nossos pecados (reter o castigo que merecemos) apenas porque esse castigo foi aceito pelo nosso substituto, Jesus. E exatamente qual era o castigo que Jesus estava tomando em si mesmo - em um período finito de tempo - como ele foi à cruz? Nada menos do que o equivalente à eternidade no inferno para toda a raça humana. E o único jeito que ele poderia ter feito era ser mais do que um homem finito ou criatura de qualquer tipo. Sua natureza tinha que ser divina, porque seu sofrimento tinha que ser infinito. Qualquer um que nega a divindade de Jesus DEVE diminuir o conceito de salvação.


Eu posso imaginar alguém lendo isso e pensando: "Esta doutrina é muito profunda. Não podemos esperar que os cristãos comuns absorvam e se comprometam com idéias tão complicadas! "Minha resposta é esta:" CRESÇA! "Estude o que Paulo diz em Efésios 4: 11-16. Os líderes cristãos devem equipar os santos "até que possamos alcançar a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, para um homem maduro, para a medida da estatura que pertence à plenitude de Cristo. Como resultado, não devemos mais ser filhos "e, portanto, vítimas de todos os tipos de doutrinas falsas", mas, falando a verdade no amor, devemos crescer em todos os aspectos naquele que é a cabeça, Cristo ".



Texto em Inglês: http://jackcottrell.com/uncategorized/must-one-believe-jesus-is-god-in-order-to-be-saved/


COMPLETAMENTE ERRADO!

Por: Dr. Leighton Flowers

Dr. Braxton Hunter, um Ph.D. Em Apologética Cristã e o Presidente do Trinity College of the Bible and Theological Seminary, estavam comigo em um debate com dois bons irmãos calvinistas sobre a doutrina de "Total Inabilidade" na última semana. Focamos muito no conceito bíblico de "mortalidade espiritual" e a presunção infundada dos calvinistas de que isso significa que a humanidade nasceu completamente incapaz de responder de bom grado ao próprio Deus.

A analogia de ser "morto" é vista em todas as escrituras, mas pode demonstrar-se que a humanidade nasce completamente e totalmente incapaz de responder voluntariamente ao próprio Deus, como presume o calvinista? Nascemos mortos como Lázaro, um cadáver apodrecendo no túmulo (uma ligação que a escritura nunca desenha), ou morremos como o filho pródigo, um ente querido que vive em rebelião? As Escrituras apoiam o último, em vez do primeiro:

"Porque este filho meu estava morto e voltou à vida; Ele estava perdido e foi encontrado. "E eles começaram a celebrar" (Lucas 15:24).

A morte espiritual parece ser equiparada à "perda" ou "em rebelião", não à "incapacidade total de responder". Da mesma forma, em Romanos 6:11, Paulo também ensina os crentes a se considerarem "mortos para o pecado". Um calvinista consistente teria que interpretar isso [que os crentes estão “mortos para o pecado”] no sentido que os crentes são completamente incapazes de pecar quando tentados. Claro, esse não é o caso. Paulo está ensinando que devemos separar-nos do pecado, da mesma forma que os nossos pecados nos separam de Deus. "Morte" aqui passa a ideia de estar separado, como o filho era de seu pai, e não a incapacidade da vontade de responder ao apelo de Deus para se reconciliar da separação que nos era imposta.

Além disso, se examinarmos mais detalhadamente a história de Lázaro será revelado uma verdade que voa em face da conclusão calvinista.

“Então, Jesus disse-lhes claramente: 'Lázaro está morto, e me agrada por causa de vocês que não estive lá, para que possas crer... '” (João 11: 14-15).

A lição que o Senhor deseja ensinar a seus discípulos não é a conclusão que os calvinistas desenham deste texto (ou seja, Deus efetivamente faz os espiritualmente mortos viverem da mesma maneira que ele levanta Lázaro); Mas, em vez disso, o desejo expresso pelo Senhor é para que as testemunhas "possam crer". Claramente, é dito que um sinal externo tem a capacidade de ajudar os indivíduos a crer, algo que parece completamente supérfluo dada a efetividade da regeneração no sistema calvinista. O texto continua dizendo:

"Jesus disse-lhe:" Eu sou a ressurreição e a vida; Quem crer em Mim mesmo que morra viverá, e todos os que vivem e creem em Mim nunca morrerão. Você crê nisso? "Ela disse-lhe: 'Sim, Senhor; Eu creio que você é o Cristo, o Filho de Deus, aquele que viria ao mundo " ... Disse-lhe Jesus: “Eu não disse para você que se você crer, você verá a glória de Deus?” (João 11: 25-27; 40).

Mais uma vez, é a fé das testemunhas oculares, não de Lázaro, em que Jesus parece estar focado nesse discurso. Além disso, a responsabilidade é colocada no indivíduo de crer para viver, e não o contrário. O foco deste texto é sobre a resposta de fé das testemunhas do milagre de Cristo e a ressurreição final dos crentes dentre os mortos. Lembre-se, Lázaro era um crente, não um Totalmente depravado, então esse milagre provavelmente representa a ressurreição do crente da morte do que um desenho soteriológico irresistível do perdido para a fé.

"Então eles removeram a pedra. Então Jesus ergueu os olhos e disse: “Pai, agradeço-lhe, pois me ouvistes”. Eu sabia que você sempre me ouvia; Mas por causa das pessoas que estão de pé, eu disse isso, para que eles acreditassem que você me enviou... Portanto, muitos dos judeus que vieram a Maria e viram o que havia feito, creram nele "(João 11: 41-42 ; 45).

Jesus expressa o desejo das testemunhas crerem com base no que viram, algo no Calvinismo que é uma certeza para os Eleitos e absolutamente impossível para os réprobos, independentemente do milagre que algum deles testemunhe. Observe que Jesus descreve a fé das testemunhas oculares como uma resposta direta aos que viram, não um trabalho interno sobrenatural de regeneração ou uma escolha incondicional antes da fundação do tempo.

Em nenhum lugar nesta passagem, ou em qualquer outro, encontramos o conceito de mortalidade espiritual como sendo referência à incapacidade total, mas a história de Lázaro é um dos textos-prova mais citados pelos calvinistas em defesa desta doutrina.

Consideremos outras passagens que usam a analogia da "morte". Por exemplo, dê uma olhada nas próprias palavras de Jesus para a igreja em Sardes:

"Ao anjo da igreja em Sardes escreva: Estas são as palavras daquele que detém os sete espíritos de Deus e as sete estrelas. Conheço suas ações; Você tem uma reputação de estar vivo, mas você está morto. Desperta! Fortalece o que resta e o que está a ponto de morrer, pois encontrei suas obras inacabadas à vista do meu Deus. Lembre-se, portanto, do que você recebeu e ouviu; Segure-o rápido e arrependa-se. Mas se você não despertar, eu virei como um ladrão, e você não saberá a que horas eu venho até você. "(Apocalipse 3: 1-6)

Claramente, Jesus espera plenamente que esta igreja atenda o seu aviso e responda em arrependimento, apesar do fato de ele os chamar de "mortos". O calvinista pode opor-se ao dizer: "Mas Jesus está falando com a igreja e não com os perdidos, então não se aplica ao nosso ponto de controvérsia".  Eu discordo, e aqui está o motivo:

1.       O ponto é simplesmente mostrar como a analogia de ser "morto" não implica necessariamente uma "incapacidade de cadáver". Esse uso da palavra ilustra esse ponto porque, claramente, aqueles que estão na igreja devem "despertar" e "arrepender-se" "O peso fica sobre o calvinista para produzir exemplos em que essa analogia demonstra explicitamente o conceito de “incapacidade total” de responder à Palavra vivificadora de Deus”.
2.       Os ensinamentos calvinistas sobre "Compatibilismo" também se aplicam às escolhas dos santos (os eleitos) e dos réprobos (os não eleitos). De acordo com o Compatibilista, uma pessoa sempre escolherá de acordo com seu maior desejo, que é determinado pela natureza dada por Deus e pelas circunstâncias divinamente controladas em que esse indivíduo faz a escolha. [1] Portanto, a escolha de um cristão é tanto sob a "providência soberana e meticulosa" de Deus quanto às escolhas dos réprobos. Assim, de acordo com um calvinista consistente, os crentes "mortos" em Sardes eram tão incapazes de responder aos apelos de Cristo para se arrepender, assim como os "réprobos mortos" foram chamados pelo evangelho ao arrependimento pela primeira vez. Em outras palavras, se o Compatibilismo for verdadeiro, então o crente "morto" em Sardes e o réprobo "morto" são igualmente incapazes de arrependimento, além do gracioso trabalho de Deus, para efetuar essa resposta voluntária. Assim, o ônus da prova ainda está com o calvinista para demonstrar que a analogia de ser "morto", em ambos os casos, é igual à "incapacidade do cadáver".
Paulo é conhecido por usar a analogia de ser "morto" ao lado do conceito de estar incluído "nele", como vemos aqui:

"Nele, você também foi circuncidado com uma circuncisão feita sem mãos, na remoção do corpo da carne pela circuncisão de Cristo; Tendo sido enterrado com ele no batismo, no qual você também foi ressuscitado com ele pela fé na ação de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. Quando você estava morto em suas transgressões e na incircuncisão da sua carne, Ele os vivificou junto com Ele, tendo nos perdoado todas as nossas transgressões "(Colossenses 2: 11-13).
Aqui, Paulo parece relacionar a circuncisão com fazer viver. Deut. 10:16 diz: "Circuncida seus corações, portanto, e deixem de ser obstinados", o que parece indicar que é responsabilidade do homem se arrepender humildemente, como se repete em Jer. 4: 4:

"Circuncida-se ao Senhor e remova os prepúcios do seu coração, homens de Judá e habitantes de Jerusalém, ou a minha ira virá como fogo, queimarão e ninguém impedirá de queimá-la, por causa do mal das suas obras".

Isso é paralelo ao ensinamento de Paulo em Efésios 1 e 2, que também se refere aos santos como tendo sido uma vez morto, mas sendo feito vivo por Deus. Ambos calvinistas e não calvinistas afirmam que todos nós estávamos mortos em nossos pecados e nos tornamos vivos junto com ele. O ponto em discussão é sobre se o pecador morto tem qualquer responsabilidade em ser levantado. O conceito de "morte" deve sugerir que a humanidade não tem responsabilidade (capacidade de responder) ao apelo de Deus para "arrepender-se e viver" (Números 21: 8-9; Ezequiel 18:32; 33:11; João 6 : 40; João 20:31).

O texto indica que somos "vivificados junto com Ele", e é responsabilidade da humanidade ser incluída "nele", através da fé:

"E você também foi incluído em Cristo quando você ouviu a mensagem da verdade, o evangelho da sua salvação. Quando você creu, você foi marcado nele com um selo, o Espírito Santo prometido, que é um depósito que garante nossa herança até a redenção da possessão de Deus - para o louvor da sua glória" (Efésios 1: 13-14 ).

Quando você estava "marcado nele?"

"Quando você creu", de acordo com o texto.

Claramente, é preciso crer para ser marcado "nele" e receber o Espírito Santo, e não o contrário. É "nele" que somos "vivificados" ou "ressuscitados", de acordo com os textos citados acima.

Em nenhum lugar na Bíblia o conceito de ser "morto" significa que a humanidade não tem responsabilidade em se humilhar e se arrepender com fé para ser "vivificaado juntamente com Ele". Como Paulo ensina em Romanos 8:10, " Se Cristo está em você, embora o corpo esteja morto por causa do pecado, o espírito está vivo por causa da justiça ".

O tema de ser "ressuscitado", "vivificado", "exaltado" ou "levantado" é tratado ao longo das escrituras, e não é difícil ver a expectativa de Deus para aqueles que ele graciosamente levanta:

1 Pedro 5: 5-6: "Deus se opõe aos soberbos, mas mostra o favor aos humildes". Humilhe-se, portanto, sob a mão poderosa de Deus, para que ele o levante no devido tempo.

Tiago 4:10: "Humilhe-se perante o Senhor, e ele o levantará".

Mateus 23:12: Pois aqueles que se exaltam serão humilhados, e os que se humilharem serão exaltados.

Salmo 18:27: Salva os humildes, mas abate aqueles que são altivos.

Salmo 147: 6: O Senhor sustenta os humildes, mas lança os ímpios no chão.

Mateus 18: 4: Quem se humilha como este é o maior no reino dos céus.

Lucas 18:14: "Eu lhe digo que este homem, em vez do outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois todos os que se exaltam serão humilhados, e aqueles que se humilham serão exaltados ".

Nem uma vez nas Escrituras ensina que Deus é o único responsável por nos humilhar para que nós "sejam levantados", "levantados", "exaltados" ou "façam vivos junto com Ele".

Em Tiago 1: 14-15, afirma: "Mas cada um é tentado quando, por seu próprio desejo maligno, ele é arrastado e seduzido. Então, após o desejo ter concebido, dá origem ao pecado; E o pecado, quando é crescido, dá à luz a morte ". Da mesma forma, Paulo diz em Romanos 7: 9-10:" Antes eu vivia à parte da Lei; Mas quando o mandamento veio, o pecado tornou-se vivo e eu morri; E esse mandamento, que resultou na vida, provou resultar em morte para mim ". No entanto, os calvinistas ensinam que já nascemos mortos. Então, qual é? Claramente, a analogia da "morte" pode conter diferentes conotações, nenhuma das quais pode ser mostrada pelo texto como "incapacidade total" desde o nascimento.

Finalmente, se a morte espiritual é tomada de uma maneira literal pelo calvinista quando se trata da incapacidade da humanidade de responder de bom grado, então, por que o "cadáver do homem morto" responde involuntariamente? Um cadáver não poderia "pegar o colete salva-vidas quando é oferecido", como o calvinista gosta de apontar, mas um cadáver também não poderia ativamente nadar para longe disso, como é a resposta rebelde de muitos para o evangelho. Na verdade, existem todos os tipos de respostas diferentes para o Colete salva-vidas. Alguns nadam em torno dela por um tempo e parecem genuinamente interessados. Outros zombam com raiva. De fato, duas pessoas "mortas" não respondem exatamente da mesma maneira ao colete salva-vidas, o que, obviamente, não seria verdade se eles literalmente respondessem como um cadáver.

Mais uma vez, a presunção calvinista é apenas isso, uma presunção que eles leem no texto que simplesmente nunca é fundamentado por nenhum ensinamento bíblico explícito.


[1] John Hendryx, citado por Phil Johnson e James White em defesa do Compatibilismo: https://www.monergism.com/topics/free-will/compatibilism

Texto em Inglês: https://soteriology101.wordpress.com/2016/03/23/dead-wrong/



Trecho do livro: A Heresia da Ortodoxia – Andreas J. Köstenberger e Michael J. Kruger, São Paulo: Vida Nova, 2014. pp. 163-164.



Primeiro, em ralação aos livros da aliança, eles foram produzidos pela a ação do Espírito Santo e, portanto, são textos vivos, ativos e eficazes (Hb 4:12). Uma vez que esses livros vêm de Deus, são, por assim dizer, investidos dos atributos de Deus e identificados por esses atributos. Segundo, em relação à comunidade da aliança, ela também é resultado da ação do Espírito Santo. Ele regenerou o coração e a mente do povo de Deus para que estejam sintonizados à sua voz: “[Minhas ovelhas] ouvem a minha voz [...] e elas me seguem” (João 10:27). Portanto, é essa atuação do Espírito Santo que permite aos membros da comunidade da aliança perceber a voz de Deus falando nos livros da aliança¹.



É esse o paradigma teológico – um paradigma compartilhado pelos primeiros cristãos – que, mais uma vez, contribui para transformar nossos conceitos acerca da origem do cânon ser algo formalmente “selecionado” pelas gerações posteriores da igreja (e, portanto, basicamente uma criação humana), tudo indica que, de certo modo, as escrituras se impuseram à igreja como testemunho poderoso do Espírito Santo neles. Se o Espírito de Deus operava tanto nesses livros quanto nas primeiras comunidades cristãs que os receberam, então era de se esperar que o conceito de cânon fosse um desdobramento natural, presente logo no início do cristianismo.


Logo, o cânon é um fenômeno que não se desenvolveu fundamentalmente em virtude de decisões formais da igreja (embora não possamos minimizar o papel vital da igreja), mas em decorrência de algo já inerente a esses livros específicos: o poder do Espírito Santo. Como Cullmann afirmou acertadamente: “Dentre os muitos textos cristãos, os livros se impuseram à Igreja por sua autoridade apostólica intrínseca, como ainda fazem, porque o Cristo Kyrios fala neles”². Por causa da atividade do Espírito Santo, podemos concordar com Dunn quando declara: “Em um sentido bastante real e importante, os principais documentos do NT escolheram a si mesmos, o cânon do NT escolheu a si mesmo!”³.


1-    R.C. Sproul, “The Internal Testimony of the Holy Spirit”, in Inerrancy, Ed. Norman Geisler (Grand Rapids: Zondervan, 1980), p. 337-54. [Edição em Português: “O testemunho Interior do Espírito Santo”, in Inerrância, editado por Norman Geisler, traduzido por Antivan G. Mendes. São Paulo: Vida, 2003, p 339-422].

2-      Cullmann, “Tradition”, p. 91 (grifo no original).

3-      James D.G. Dunn, Unity and Diversity in the New Testament: An Inquiry into the Character of Early Christianity, 2. Ed. (London: SCM, 1990), p. xxxi. [Edição em Português: Unidade e Diversidade no Novo Testamento. Um Estudo das Características dos Primórdios do Cristianismo, traduzido por José Roberto C. Cardoso, Santo André: Academia Cristã, 2009].


Por: Jack Cottrell



PERGUNTA: Tenho amigos que acreditam que a cura de doenças físicas é um dos resultados da expiação. Eles acreditam que Jesus morreu para nos trazer a cura de nossos corpos. Assim, se somos cristãos, devemos receber cura física e não deveríamos estar doentes. O que a Bíblia diz?

RESPOSTA: Esta visão é encontrada em uma variação dos modernos movimentos pentecostais e carismáticos. Às vezes é chamado de Movimento de Fé (ou Fé da Palavra), ou Movimento de Saúde e Riqueza (ou Evangelho da Prosperidade). Em todo o mundo, é uma das maiores e mais crescentes formas de cristandade. Concentra a fé e a esperança das pessoas em supostas promessas de bênçãos materiais, ao invés de espirituais: prosperidade física e cura física, ao invés de riqueza espiritual e totalidade espiritual.
Para detalhes eu recomendo que todos leiam as críticas de John MacArthur a esta falsa doutrina: Caos Carismático (1992) e Fogo Estranho (2013).


Nos tempos do Antigo Testamento, o relacionamento de Deus com o povo de sua aliança, Israel, envolveu muitas promessas de bênçãos físicas aos fiéis: proteção contra inimigos físicos, bênçãos materiais centradas na "terra prometida" e até saúde física. Mas um princípio geral muito importante na Bíblia é este: sob a Nova Aliança, o relacionamento de Deus com Seu povo e Suas bênçãos prometidas sobre Seu povo têm sido consistentemente elevados para o nível superior do reino espiritual. Estes não estavam ausentes nos tempos da Velha Aliança, mas eles são de longe o foco de atenção na era Messiânica.


Eu tenho lidado com esta questão em meu livro O que a Bíblia diz sobre Deus, o Governante (1984), no capítulo 4, "Providência especial e os propósitos de Deus" (ver pp. 148-150 sobre a questão da cura). Parte disso é transferida para a versão condensada de meus três livros sobre Deus, o volume intitulado Deus mais alto: O que a Bíblia diz sobre Deus (2012), pp. 186-188. Aqui estão alguns pensamentos dessas fontes:


No que diz respeito a como Deus lida com a doença e saúde nesta vida, alguns acreditam sinceramente que na cruz Jesus tirou não só os nossos pecados, mas também a nossa doença. Referem-se a Isaías 53: 4,5 e Mateus 8: 16,17. Outros incorporaram a saúde física ao pacote maior de "saúde e riqueza", que dizem ser parte da essência do evangelho. O que diremos a respeito disto? É o propósito de Deus que todos os crentes sejam livres de doenças e enfermidades de todos os tipos? O cristão tem o direito de reivindicar a cura física como parte dos benefícios oferecidos por Cristo através de Seu sangue expiatório? Isso é uma parte da providência de Deus para os crentes?


Doença e morte não são certamente normais; Eles não faziam parte do mundo que Deus criou no princípio. O propósito original de Deus para o homem não os incluiu. Eles são parte dos resultados da entrada do pecado no mundo. Desde aquele primeiro pecado, eles permearam e devastaram a raça humana. Eles são inimigos do homem; Eles não são naturais. Em meio à doença, o povo de Deus sempre clamou a Ele por cura e libertação, e Deus sempre esteve pronto para ouvir suas orações (Salmo 41: 3 e Tiago 5: 14-16). Nessas eras, quando Deus deu poderes milagrosos, a cura dos enfermos sempre foi uma maneira pela qual eles foram usados.


Será que tudo isso significa que cura e saúde são agora presentes padrão oferecidos a todos os crentes em relação a todas as doenças? Este não pode ser o caso. É verdade que Deus pode e muitas vezes responde às orações pela cura, exercitando Sua especial providência em nosso favor. E cremos que Ele o fará, a menos que haja um propósito primordial que seja servido pela própria doença. Pode ser que Deus em Sua sabedoria determine que o desenvolvimento da prosperidade espiritual (por exemplo, a paciência, a compaixão) é mais importante do que a saúde, ou pode ser que a doença seja um meio de correção e deve ser suportada. Só Deus sabe quando tais propósitos se aplicam; Nós simplesmente confiamos em Sua sabedoria e bondade enquanto continuamos a orar pela cura.


De modo que a cura física não é garantida aos crentes, isso parece ser demonstrado pelos casos de doenças não curadas ou prolongadas entre os cristãos mencionados no NT: o "espinho na carne" de Paulo não foi removido, servindo assim o maior propósito espiritual de ensinar-lhe humildade (2 Co 12: 7). Epafrodito estava aparentemente doente por um longo tempo, e assim quase fatalmente (Filipenses 2: 25-27). Um evangelho de saúde garantida deveria ter evitado essas doenças. Paulo teve que deixar um de seus colegas de trabalho, Trófimo, doente em Mileto (2 Timóteo 4:20). Por que ele não estava curado? Dizem-nos também que Dorcas, uma mulher cristã que abundava em atos de bondade e caridade, "adoeceu e morreu" (Atos 9: 36-37). O evangelho de alguma forma falhou com ela?


Mas o que dizer da ideia de que a expiação de Jesus trouxe cura física para todos os que creem? Isso é verdade, mas há uma falácia fundamental no emprego [deste termo] aqui. A expiação de Jesus superou todos os efeitos do pecado, incluindo a doença física e a morte. Mas a falácia é pensar que nós devemos ter todos esses efeitos removidos imediatamente, nesta vida. Este não é o caso. Se isto fosse verdade, não somente todos os verdadeiros crentes seriam sempre curados; Eles nunca nem sequer ficariam doentes. Nem jamais morreriam. Mas é claro que nada disso aconteceu, simplesmente porque a redenção do corpo e do universo físico como um todo não produzem efeitos [plenos] até a segunda vinda [de Jesus] (Romanos 8: 18-23). Apenas o novo corpo é incorruptível e imortal (1 Coríntios 15: 42-44, 54). De modo que o velho [corpo] que adoece, fica doente e morre não é reflexo da eficácia da expiação, que nos fornece um novo corpo. A próxima vida é onde a saúde garantida é fornecida para nós, não nesta vida.


O que nos é garantido pelo evangelho nesta vida é a cura espiritual, a purificação da alma da doença do pecado. O coração é renovado e regenerado (Ezequiel 36:26, Tito 3: 5); O espírito é dado nova vida em Cristo Jesus (Romanos 6: 3-11, Efésios 2: 5). Deus está concedendo esse tipo de saúde e vida agora, embora o corpo ainda esteja sujeito à doença e à morte (Romanos 8:11).



A conclusão é que devemos orar pela cura corporal, porque a providência especial de Deus é capaz de nos concedê-la. Mas devemos, ao mesmo tempo, confiar na sabedoria de Deus. Se Ele vê uma razão pela qual Ele não deveria nos restaurar, podemos nos lembrar da promessa de Romanos 8:28, "que Deus faz com que todas as coisas cooperem para o bem daqueles que amam a Deus." A saúde completa pode não ser nossa agora, mas sabemos que certamente será no dia da ressurreição e para a eternidade.


Texto em inglês: http://jackcottrell.com/uncategorized/the-atonement-and-physical-healing/

Traduzido por: Janderson Torres


Por: Leighton Flowers

"POR QUE VOCÊ CREU NO EVANGELHO, MAS SEU AMIGO NÃO? VOCÊ É MAIS SÁBIO, OU MAIS INTELIGENTE, OU MAIS ESPIRITUAL, OU MELHOR TREINADO, OU MAIS HUMILDE? "

Esta é tipicamente uma das primeiras perguntas que um calvinista irá fazer a um não calvinista ao tentar convencê-lo de sua doutrina. [1] Na verdade, quando eu era calvinista, usei esse argumento com mais frequência do que qualquer outro, e foi bastante eficaz. No entanto, cheguei a acreditar que há pelo menos quatro problemas significativos com essa linha de argumentação:


1) FALACIA DA QUESTÃO REQUERIDA:


Como discutimos aqui, este é um jogo de questão requerida porque é pressuposto uma resposta determinística necessária. É equivalente a perguntar: "O que determinou a sua resposta e a de seu amigo?" Como se algo ou alguém que não fosse os próprios agentes responsáveis ​​fizesse a determinação. A questão pressupõe que o determinismo é verdadeiro e que o livre-arbítrio (autodeterminação) não é possível. [2]

Acredito que a causa de uma escolha é o agente livre (ou a causa de uma determinação é o determinante) e aceito o mistério associado ao funcionamento desse livre-arbítrio ao fazer suas próprias determinações. [3] Agora, calvinistas desafiarão frequentemente o meu apelo ao mistério neste momento como se fosse uma fraqueza única à minha cosmovisão libertária. Este é um argumento muito míope, porém, que será tornado muito claro no próximo ponto.


2) CALVINISTAS NO FIM DAS CONTAS APELAM PARA O MESMO MISTÉRIO:


Enquanto o calvinista pode sentir que ele tem o “controle” ao perguntar sobre o "fator decisivo" na escolha do homem por rejeitar as palavras de Deus, o papel inverte drasticamente quando a conversa muda para a primeira escolha do homem para rejeitar as palavras de Deus. Seja discutindo o primeiro ato de rebelião de Satanás ou a primeira escolha de Adão para o pecado, torna-se evidente que o calvinista entrou num beco sem saída ao negar o livre-arbítrio libertário.

Enquanto, por um lado, argumentando que a humanidade sempre agirá de acordo com sua natureza (assumindo que a natureza não poderia ser libertarianamente livre, lembre-se disso), o calvinista não tem nenhuma resposta racional sobre por que Adão (ou Lúcifer) escolheu se rebelar. [4] Por exemplo, John Piper admite abertamente:

“Como Deus endurece livremente e ainda preserva a responsabilidade humana, não é explicitamente descrito para nós. É o mesmo mistério de como o primeiro pecado entrou no universo. Como surge uma disposição pecaminosa em um bom coração? A Bíblia não nos diz.” [5].
E RC Sproul também ensina,

"Mas Adão e Eva não foram criados caídos. Eles não tinham natureza pecaminosa. Eram boas criaturas com livre arbítrio. No entanto, eles escolheram pecar. Por quê? Eu não sei. Nem tenho encontrado alguém que ainda saiba."[6]
Como você pode ver claramente, o calvinista acaba de "varrer o problema para debaixo do tapete", por assim dizer, quando se trata de apelar para o mistério da livre vontade moral. [7] Eventualmente apelam para o mesmo mistério que fazemos, enquanto pensam que estão tomando o terreno moral superior dando a Deus todo o crédito pela escolha do cristão de se arrepender e confiar em Cristo. Na realidade, porém, ao não aceitar o mistério do livre arbítrio do homem, o calvinista criou um novo mistério que simplesmente não é oferecido pelo texto das escrituras.

Esse problema é evidenciado ao virar a questão e perguntar isso aos calvinistas:

Por que seu amigo perdido continuou a odiar e rejeitar Deus?

A maioria dos calvinistas não quer admitir que o réprobo de seu sistema, em última análise, odeia e rejeita a Deus porque Deus primeiro os odiou e rejeitou. Os calvinistas preferem se concentrar nos eleitos que são salvos por meios deterministas, ignorando as conclusões inevitáveis ​​sobre os não eleitos que continuam condenados pela mesma razão determinista. Em minha opinião, este é um dilema exclusivo para sua cosmovisão, não uma tensão criada pelos ensinamentos da escritura.

Assim, o calvinista rejeita o mistério da liberdade libertária apenas para adotar outro mistério ainda mais difícil. Um que questiona sem dúvida a santidade, retidão e confiabilidade de nosso Deus - ou seja, a sugestão de que Deus está implícito na determinação do mau moral, como evidenciado pelos próprios ensinamentos de João Calvino:
"... quão tolo e frágil é o apoio da justiça divina oferecida pela sugestão de que os males vêm a existir, não por Sua vontade, mas por Sua permissão... É um refúgio bastante frívolo dizer que Deus ociosamente os permite, quando a Escritura o mostra não apenas com vontade, mas como o autor deles... Quem não o tremerá com estes julgamentos com os quais Deus opera nos corações dos ímpios da forma que Ele quer, recompensando-os de acordo com seus méritos? Mais uma vez, é claro na evidência das Escrituras que Deus opera nos corações dos homens para inclinar suas vontades como ele quer, seja para o bem por sua misericórdia, seja para o mal de acordo com seus méritos” [8].

Que mistério é mais difícil de engolir? Um que aparentemente sugere que a humanidade pode ter alguma parte a desempenhar na reconciliação (a produção em conjunto entre duas partes) ou a que sugere que Deus é o autor do mal (o que no inicio dividiu todos em duas partes)? Mais importante ainda, qual destes mistérios a Bíblia realmente oferece?


3) MELHOR POR ESCOLHA OU DIVINO DECRETO É AINDA MELHOR:


Calvinistas parecem pensar que há algo moralmente errado em admitir que um crente é melhor do que um incrédulo. Claro que é melhor crer do que "trocar a verdade de Deus por mentiras". Se alguém acredita porque foi soberanamente feito para fazê-lo ou simplesmente se deu a capacidade de fazê-lo livremente não muda o fato de que os crentes estão fazendo algo "melhor". Mas, como descobriremos no próximo ponto, melhor não significa digno de salvação. Assim, mesmo que os não calvinistas dissessem: "Sim, eu sou mais humilde ou mais inteligente", ele estaria dizendo a mesma coisa que um calvinista tem a dizer. A única diferença seria que um incrédulo poderia dizer corretamente ao calvinista: "Quão arrogante de sua parte pensar que Deus te fez mais humilde ou mais inteligente", enquanto que se dissessem isso aos não calvinistas, poderíamos responder corretamente: "Não, Ele não! Você não tem tal desculpa. Você tem a mesma habilidade de se humilhar e entender o evangelho como eu tenho”.

Nós (não calvinistas) somos acusados ​​com muita frequência de que poderíamos/deveríamos nos gabar em nossa salvação porque afirmamos que é nossa responsabilidade responder livremente em fé ao gracioso apelo do evangelho que o Espírito Santo produziu.

Isto é realmente uma vanglória digna?

Somos nós que ensinamos que qualquer um pode crer no evangelho. Por que nos orgulhamos de fazer algo que qualquer pessoa é capaz de fazer?

São os calvinistas que acreditam que essa habilidade é dada exclusivamente a eles e não à maioria das pessoas. Faz muito mais sentido para um calvinista se vangloriar de uma habilidade concedida a ele, que foi retida da maioria dos outros.

Um grande cantor, por exemplo, é um raro dom dado desde o nascimento e muitas vezes pode se tornar orgulhoso ou jactancioso devido a esse dom único. Mas se todos nascessem capazes de cantar bem sempre que quisessem então se vangloriar nessa habilidade não faria sentido. Assim, o calvinismo deixa mais espaço para a vanglória do que a nossa perspectiva soteriológica.

Isso fala do ensino bíblico sobre a possibilidade de alcançar a bondade ou justiça, que discutiremos no próximo ponto.


4) UMA DECISÃO NÃO É UM MÉRITO NA SALVAÇÃO:


Qual é a motivação implícita para fazer a pergunta: "Por que você e não outro?" A implicação parece ser que aquele que toma a decisão livremente libertária de aceitar o apelo do evangelho é merecedor ou mais merecedor da salvação? Como se a decisão de se arrepender de alguma forma ganhasse ou merecesse o perdão de alguém.

Pense nisso desta maneira. O filho pródigo ganharia, mereceria ou de qualquer forma teria direito a recepção de seu pai com base em seu humilde retorno para casa? Claro que não. Ele merecia ser punido, não recompensado. A aceitação de seu pai era uma escolha exclusiva do pai e era TODA DE GRAÇA. O pai não teve que perdoar, restaurar e fazer uma festa para seu filho baseado no fato dele ter escolhido para voltar para casa. Foi o Pai quem fez.

Humilhação e quebrantamento não são considerados "melhor" ou "louvável" e certamente não é intrinsecamente valioso. Na verdade, alguém poderia argumentar que era sem lógica e deplorável que o filho voltasse para casa e implorasse a seu pai por um emprego, em vez de trabalhar da sua própria maneira para sair daquele chiqueiro. A única coisa que torna essa qualidade "desejável" é que Deus escolheu a graça daqueles que humilham a si mesmos, algo que Ele não é de modo algum obrigado a fazer (Isaías 66: 2). Deus dá graça aos humildes não porque uma resposta humilde merece salvação, mas porque Ele é bondoso.


TODOS NÓS AFIRMAMOS QUE A SALVAÇÃO PERTENCE AO SENHOR, MAS ISSO NÃO SIGNIFICA PECADO E NEM A RESPONSABILIDADE DE ARREPENDER-SE DO PECADO NÃO PERTENCE AO PECADOR.


É claro que a escritura nos chama à humildade e não há nada que sugira que não podemos responder com humildade quando confrontados com a poderosa revelação clara da convicção divina que dá vida à verdade através da lei e do evangelho. Considere o que nosso Senhor nos ensinou em Lucas 18: 10-14:

"Dois homens subiram ao templo para orar, um fariseu e o outro um cobrador de impostos. O fariseu estava de pé e estava orando para si mesmo: Deus, eu Te agradeço por não ser como os outros: trapaceiros, injustos, adúlteros, ou mesmo como esse cobrador de impostos - Eu jejuo duas vezes por semana; Eu paguei os dízimos de tudo o que tenho” “Mas o cobrador de impostos, estando a certa distância, estava mesmo disposto a levantar os olhos para o céu, mas estava batendo no peito, dizendo: Deus, tenha piedade de mim! Eu lhe digo, este homem foi para a sua casa justificado, em vez do outro; Porque todo aquele que se exalta será humilhado, mas aquele que se humilha será exaltado”.

O coletor de impostos merecia ir para casa justificado por causa de sua humilde admissão de culpa? Claro que não. Se assim fosse, sua confissão teria merecido sua salvação e não haveria razão para que a morte de Cristo expiasse seu pecado. Ele foi para casa justificado por causa da graça e provisão exclusiva de Deus! Manter a responsabilidade libertaria livre do homem para arrepender-se e para crer não nega a verdade que a salvação é completamente e totalmente exclusiva de Deus.

Ao longo das escrituras, vemos exemplos de Deus "achando graça" em indivíduos crentes (Jó, Enoque, Noé, Abraão, etc.), mas esses homens, como toda a humanidade, ainda estavam aquém da glória de Deus e eram injustos de acordo com as exigências da lei de Deus. Eles precisavam de um salvador. Eles precisavam de redenção e reconciliação. Mesmo aqueles que creem na verdade da revelação de Deus merecem punição eterna pelo seu pecado.

O que deve ser entendido é que ninguém era justo de acordo com as exigências da lei. No entanto, isso NÃO significa que todas as pessoas são incapazes de acreditar na verdade revelada de Deus para serem creditadas como justas pela graça de Deus. Paulo ensinou que ninguém era justo em Romanos 3, mas ele se volta e declara no capítulo seguinte que "Abraão creu em Deus, e lhe foi creditado como justiça" (4: 3).

Como pode ser? Paulo se contradisse? Primeiro ele declara que ninguém é justo e então ele nos diz que Abraão era justo? O que é isso?

Paulo está desenhando a distinção entre a justiça pelas obras (Rm 3: 10-11) e a justiça pela graça por meio da fé (Rm 3: 21-24). O primeiro é inalcançável, mas este último sempre foi muito alcançável por qualquer pessoa, o que novamente, é por isso que TODOS SÃO "INDESCULPÁVEIS" (Rm 1:20).

Deus pode mostrar misericórdia a quem quer que ele queira mostrar misericórdia! Sabemos, com base na revelação bíblica, que Deus quer mostrar misericórdia àqueles que humildemente se arrependem com fé, que é responsabilidade do homem, não de Deus!
Se você espera em Deus para efetivamente humilhar você, será tarde demais.

1 Pedro 5: 5-6: "Deus se opõe aos soberbos, mas mostra benevolência aos humildes. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que vos exalte no devido tempo”

Isaías 66: 2: “Estes são os que eu olho em favor: aqueles que são humildes e contritos em espírito, e que tremem em minha palavra”.

Tiago 4:10: "Humilhai-vos diante do Senhor, e ele vos exaltará".

2 Reis 22:19: "Porque o teu coração se mostrou receptivo e te humilhaste perante o Senhor, quando ouviste o que tenho dito contra este lugar e sobre o seu povo - que se tornariam uma maldição e seriam devastados - e porque rasgavas as vossas vestes E chorou em minha presença, também eu vos ouvi, diz o Senhor.

2 Crônicas 12: 7 Quando o Senhor viu que se humilharam, veio esta palavra do Senhor a Semaías: "Visto que se humilharam, não os destruirei, mas logo os livrarei. A minha ira não será derramada em Jerusalém por causa de Sisaque.

II Crônicas 12:12 Porquanto Roboão se humilhou, a ira do Senhor se desviou dele, e ele não foi totalmente destruído.

Salmo 18:27: Salva os humildes, mas abate aqueles cujos olhos são altivos.

Salmo 25: 9: Ele guia os humildes no que é certo e ensina-lhes o seu caminho.

Salmo 147: 6: O Senhor sustenta os humildes, mas lança os ímpios na terra.

Provérbios 3:34: Ele zomba dos escarnecedores e orgulhosos, mas mostra favor aos humildes e oprimidos.

Sofonias 2: 3: Buscai ao Senhor, todos os humildes da terra, vós que fazeis o que ele manda. Buscai a justiça, buscam a humildade; Talvez você seja abrigado no dia da ira do Senhor.

Mateus 18: 4: Todo aquele que se humilha como este menino é o maior no reino dos céus.

Mateus 5: 3: Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

Mateus 23:12: Porque os que se exaltam serão humilhados, e os humildes serão exaltados.

Lucas 1:52: Ele tirou os governantes de seus tronos, mas levantou os humildes.

Lucas 14:11 Porque todos os que se exaltam serão humilhados, e os humildes serão exaltados.

Lucas 18:14: "Digo-vos que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois todos os que se exaltam serão humilhados, e os que se humilharem serão exaltados ".
Tiago 4: 6: Mas ele nos dá mais graça. É por isso que a Escritura diz: "Deus se opõe aos soberbos, mas mostra favor aos humildes".


[1] John Piper disse: “Mais especificamente, eu raramente encontro cristãos que querem tomar o crédito por sua conversão. Há algo sobre a verdadeira graça no coração do crente que nos faz querer dar toda a glória a Deus. Assim, por exemplo, se pergunto a um crente como ele responderá à pergunta de Jesus no último julgamento: Por que você acreditou em mim, quando ouviu o evangelho, mas seus amigos não o ouviram? Os crentes respondem a essa pergunta dizendo: Porque eu era mais sábio ou mais esperto ou mais espiritual ou melhor treinado ou mais humilde. A maioria de nós sente instintivamente que devemos glorificar a graça de Deus dizendo: Onde porém, pela graça de Deus, vou eu. Em outras palavras, sabemos intuitivamente que a graça de Deus foi decisiva em nossa conversão. É isso que queremos dizer com graça irresistível.” (Http://www.desiringgod.org/articles/what-we- believe- about-the-five-points-of-calvinism#Grace).

[2] O Livre-arbítrio Libertário é "a capacidade categórica da vontade de abster-se ou não de uma determinada ação moral". Veja: https://soteriology101.wordpress.com/2016/05/11/philosophical-reflections-on- Livre-arbítrio /

[3] Questão requerida é a falácia lógica de presumir verdadeiro o próprio argumento para debate. Perguntando o que determinou a escolha de um homem, o questionador está presumindo que alguém ou algo diferente do que aquele homem fez a determinação, presumindo assim o verdadeiro fundamento da lógica determinística (ou seja, uma teoria ou doutrina que atos da vontade, ocorrências na natureza ou social ou fenômenos psicológicos são causalmente determinados por eventos precedentes ou leis naturais [ou Decreto Divino] - Merriam-Webster Dictionary). Enquanto um determinante pode indicar razões ou fatores influentes para sua própria determinação (ou seja, eu escolhi comer demais porque o sabor é muito bom) que não significa que os fatores listados eficazmente causou a determinação (ou seja, o sabor dos alimentos determinou a escolha do agente para comer demais). Apenas o agente tomou a decisão com base nos fatores considerados e deliberados. Presumir sem prova de que algo ou alguém fora do próprio agente fez a determinação (ou seja, foi o "fator decisivo") é questão requerida.

[4] Por um lado, os calvinistas argumentam que a humanidade sempre escolhe de acordo com sua maior inclinação, que é finalmente determinada pela natureza dada por Deus, mas, por outro lado, afirmam que Adão "estava perfeitamente livre de quaisquer corrupções ou inclinações pecaminosas" E que "não tinha inclinação pecaminosa para precipitá-lo ao pecado; Ele o fez por sua própria livre e genuína escola” Jonathan Edwards," Todos os métodos de Deus são mais razoáveis", em Sermons and Discourses: 1723-1729, ed. Por Kenneth P. Minkema, Works 14 (1997): 168.)
Como a afirmação da liberdade de Adão de pecar ou abster-se do pecado não viola a própria definição dos calvinistas de vontade e escolha humana? Para Adão escolher pecar deve violar a lei de sua própria natureza, como definido pela sistemática calvinista.

[5]John Piper: http://www.desiringgod.org/sermons/the-hardening-of-pharaoh-and-the-hope-of-the-world))

[6] RC Sproul, Chosen By God, p.31


[8] John Calvin, “The Eternal Predestination of God,” 10:11

Texto original em Inglês: https://soteriology101.wordpress.com/2016/08/11/answering-calvinists-1-argument/